A PALAVRA A...

Professores e Solidariedade: inventar novos caminhos

A par das difíceis condições em que muitos professores desempenham e exercem a sua atividade, perderam-se, em paralelo, algumas âncoras em que os Professores se apoiavam, com realce para a partilha e para o convívio que a própria escola facultava. Muito do sofrimento do professor de hoje é vivido a sós e, nem sempre, suplantado e sublimado.
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Habituados que estamos a tentar clarificar ideias e conceitos, não chegaríamos, certamente, a bom porto se fôssemos à procura de como definir solidariedade, classe e comunidade. Fiquemo-nos, antes, pelo senso comum do que possamos entender pelo binómio solidariedade e cidadania. No desempenho da sua profissão e ainda que não tenhamos de descer a situações concretas, o professor exerce ou não uma verdadeira e autêntica solidariedade? Solidariedade para com quem? Para com os alunos, para com a sociedade, para com os outros professores, para consigo próprio?

É hoje aceite que o comportamento do ser humano assume duas vertentes: uma altruísta, outra egoísta. Santo Agostinho já formulara esta dicotomia ao considerar amor socialis e amor privatus. É igualmente aceite que o ser humano é capaz de simpatia que podemos entender como a capacidade natural do homem, inerente à vida em sociedade, de se colocar no lugar do outro. Esta capacidade é ultrapassada por uma outra, empatia - a capacidade para responder com uma emoção adequada ao estado mental e afetivo do outro. Talvez possamos situar a emergência da Solidariedade na interligação destas capacidades humanas as quais provavelmente contribuíram de forma positiva para a socialização.

Levados que somos pelo mais concreto e visível, associamos, frequentes vezes, a solidariedade à satisfação das necessidades situadas na base da pirâmide masloviana; assim será para o recetor do ato solidário, enquanto sujeito passivo. Porém, a solidariedade ativa pode responder ao desejo intrínseco de desenvolvimento pessoal do ser humano, associado a necessidades de estima e de autorrealização. William James dizia que no centro da personalidade humana está a necessidade de ser apreciado. Às necessidades de estima, sobrepõem-se necessidades de autorrealização e, mesmo, de doação. Quando os voluntários doam o seu tempo – e as instituições de solidariedade são a expressão viva do trabalho gracioso de multidões de voluntários, atinge-se o topo da pirâmide.

Dizer-se que a escola de hoje é muito diferente da escola de há alguns anos atrás passou a lugar-comum, mas não deixa de ser verdade. A par das difíceis condições em que muitos professores desempenham e exercem a sua atividade, perderam-se, em paralelo, algumas âncoras em que os Professores se apoiavam, com realce para a partilha e para o convívio que a própria escola facultava. Muito do sofrimento do professor de hoje é vivido a sós e, nem sempre, suplantado e sublimado. Até há pouco, a solidariedade entre os Professores era vista numa linha vertical, isto é, a pensar quase em exclusivo na garantia de uma vida digna dos últimos anos. Há que encontrar linhas de horizontalidade nestes momentos do tempo presente que somos chamados a viver e a viver em solidariedade, a começar naqueles que, connosco, partilham a mesma função.

A Associação de Solidariedade Social dos Professores tem condições e um vasto capital de experiência para inventar novos caminhos, assumindo-se como a via mutualista na vida dos Professores capaz de respostas criativas para as atuais condições de vida. Recentemente, uma jovem empresa portuguesa ligada à inovação e liderança afirmava em campanha publicitária que, relativamente ao crescimento da economia, duas posições antagónicas se podem assumir: uma perspetiva cartesiana – projetando o futuro com base no conhecimento do passado e por isso com crescimentos marginais, e uma perspetiva quântica incorporando a invenção de novos caminhos, hoje desconhecidos, com crescimentos exponenciais.

Compete-nos a todos nós, Professores, assumirmos essa perspetiva quântica, também a nível da solidariedade.
João Peres e Ana Maria MoraisASSP - Associação de Solidariedade Social dos Professores
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