DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Morreu o Ano Lectivo, longa vida ao Ano Escolar

Esta é a última crónica desta segunda série do diário de um professor em pandemia.
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Esta é a última crónica desta segunda série do diário de um professor em pandemia. Porque as aulas terminaram (no meu caso) e com elas o ano lectivo. Mesmo se continua em toda a sua força o ano escolar, algo que parece ser pouco conhecido de muitas pessoas que escrevem sobre Educação. E sei que repito muitas vezes esta parte, mas é porque ainda tenho a esperança que exista alguma vontade de aprender por parte de quem tanto parece saber sobre a vida das escolas e dos professores.

Claro que estou consciente de que muitas vezes essas afirmações são feitas com consciência de serem falsas, produzidas a partir de pura má-fé e desonestidade intelectual. Mas pode existir quem diga essas coisas, pelo efeito de repetição, mas ainda possa ter abertura para compreender que deve procurar sair da sua “bolha de filtragem” (conceito criado por Eli Pariser para designar aqueles nichos de isolamento intelectual que se caracterizam pela leitura apenas do que confirma as próprias crenças, sem recurso a qualquer contraditório) e enfrentar a realidade como ela é e não como é representada a partir de algoritmos que fornecem apenas o que se espera que seja agradável ao “consumidor”.

Ainda pensei fazer aqui a lista extensa de tudo o que há por fazer nas escolas, desde as tarefas finais relativas à avaliação até à preparação do próximo ano lectivo, passando pelas múltiplas ocupações próprias de um arrumador profissional. Mas de pouco isso adianta, porque há casos perdidos para qualquer debate sério seja sobre o que for, quando há interlocutores que apenas debitam uma espécie de mantra que perpetua em “câmaras de eco”, pseudo-verdades impenetráveis a qualquer informação que contradiga a opinião da “tribo” por pouco sustentada que seja em “factos” (ler a este respeito, entre outros, A Morte da Verdade de Michiko Kakutani, edição nacional da Presença em 2018).

Por isso, não adianta explicar em detalhe que o fim do ano lectivo não significa o fim do ano escolar que, em tantos casos, e não apenas por causa dos exames do Secundário, entra por Agosto sem hesitação. Porque há quem terá sempre aquela dos “três meses de férias” para disparar à mais pequena oportunidade, ano após ano, por muito que se tente explicar e provar que isso é uma mentira. Porque, afinal, já Einstein dizia há duas coisas infinitas no mundo, sendo uma delas a estupidez humana. Ou melhor, ninguém sabe se ele disse mesmo isso, porque foi o psicoterapeuta Frederick S. Perls a escrever que Einstein lhe terá dito isso, durante uma conversa. Mas, afinal, a quem interessa saber se foi mesmo verdade que ele disse isso? Em caso de dúvida, imprima-se a lenda.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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