DIÁRIO DE UM PROFESSOR

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Este foi um ano em que muito se falou de uma “nova normalidade”, a par do desejo do regresso a uma impossível “velha normalidade”.
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São as últimas aulas do ano, um tempo de H.G.P. e dois de Português, porque continua uma turma em isolamento. Mesmo da minha direcção de turma, compareceram 14 alunos na 3.ª feira e 11 ontem, não sabendo quantos aparecerão esta manhã. Podemos continuar a chamar formalmente aulas a estes segmentos de 45 ou 90 minutos, mas a verdade é que são apenas momentos de convívio, como me dizia uma aluna, ontem.

E nem sequer acho mal que assim seja, porque só mesmo cabecinhas com muito em que pensar e, por isso mesmo, com dificuldade em tudo compreender, podem achar que fez sentido este prolongamento do ano lectivo. Há realmente, entre velhos e novos especialistas de crónica jornalística, quem não entenda grande coisa de quotidiano escolar, por muita certificação académica que apresentem ou elenco variado de “investigações”.

Com várias turmas em isolamento, a escola assumiu nestas duas últimas semanas aquele carácter de atl informal de que tanto se fala, meio em brincadeira, meio a sério, sobre alguns dos seus aspectos no resto do ano. Valha-nos, portanto, o “convívio” que ainda é o melhor que levamos de um ano em que se demonstrou que a aprendizagem dos decisores é lenta e raramente avança se existirem preconceitos e interesses bem instalados nas mentes e/ou gabinetes.

Este foi um ano em que muito se falou de uma “nova normalidade”, a par do desejo do regresso a uma impossível “velha normalidade”, mas talvez só os mais novos, por terem menos vícios a toldar-lhes a percepção, tenham verdadeiramente entendido os contornos de um quotidiano e uma realidade que foram redefinidas pelas circunstâncias que não entram em “compromissos” com credos ou conveniências.

Hoje são as últimas aulas de um ano que, por enquanto e como 2020, ainda se pode considerar atípico. Resta saber se daqui a alguns anos não se virá a perceber que estes foram os primeiros passos de – aqui sim, com a devida propriedade no uso do termo – um “novo paradigma” 

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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