A PARTIR DA INTENÇÃO

Quando o meu filho é violento

O nosso papel como pais é guiar os nossos filhos de forma que eles possam exprimir saudavelmente, para eles e para os outros, a sua ira e raiva, quando estas surgirem.
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É frequente os pais procurarem-me para dicas sobre como lidar com violência física e agressividade, raiva ou ira. Infelizmente a ideia generalizada na nossa sociedade é que são a mesma coisa e que as devemos abolir. Quando queremos praticar uma parentalidade consciente reconhecemos a importância de os separar. A ira ou a raiva são emoções como qualquer outra emoção e é preciso poder expressá-las. Uma forma de as exprimir poderá ser através da violência física. Essa expressão, que é muito normal e pode magoar a criança ou outra pessoa, é o que queremos mudar e transformar. A ira e a raiva, por outro lado, têm o direito de existir (e existem por uma boa razão) e, se forem constantemente suprimidas, podem resultar em consequências graves.

Por isso, o nosso papel como pais é guiar os nossos filhos de forma que eles possam exprimir saudavelmente, para eles e para os outros, a sua ira e raiva, quando estas surgirem. Uma coisa que precisamos logo de esclarecer é que não ensinamos a não utilizar violência física utilizando violência física. Se queremos ensinar os nossos filhos uma expressão emocional saudável sem violência, então nem uma palmada no rabo vale. Mesmo.

O que podemos então fazer? Aqui ficam três sugestões que funcionam.

Mostrar formas alternativas para gastar a energia da emoção
Mais uma vez, é essencial a criança ter formas de exprimir todo o leque de emoções. É óbvio que ela nem sempre vai encontrar a melhor forma, mas quanto menos julgarmos, quanto mais nos conseguirmos ligar ao amor incondicional que sentimos pela criança, independentemente do seu comportamento, e quanto mais conseguirmos mostrar que existem formas boas de nos exprimirmos sem magoarmos ninguém, melhor.

Formas de mostrar alternativas de gastar a energia poderão ser:
“Uau! Estás mesmo com muita energia para gastar hoje. Vamos saltar no trampolim, para ver se consegues saltar muito alto com a ajuda dessa energia toda.”

“Opa! Isto está a ficar difícil! Que tal fazermos uma guerra de almofadas?!”


Reconhecer a emoção/necessidade, parar o desejo
Na parentalidade consciente existe uma distinção muito importante entre um desejo e uma necessidade ou emoção. Podemos dizer que não a um desejo, mas podemos reconhecer a emoção e procurar satisfazer a necessidade.

Formas de aplicar isto quando a criança é violenta fisicamente poderão ser:
“Parece-me que ficaste muito chateado quando não te deixei ver televisão. Não te vou deixar bater-me. Vou segurar na tua mão até parares e depois vamos ver que solução podemos encontrar juntos.”

“Não te vou deixar arranhar os teus irmãos. Vamo-nos afastar um pouco para todos ficarem seguros. Querias muito brincar com os teus irmãos e eles não te incluíram, não foi? Quando estivermos calmos, vamos ver o que podes fazer para poder brincar.”


Oferecer alternativas de comunicação
Para muitas crianças falar sobre o que estão a sentir pode ser muito difícil e pode haver outras formas de expressão que poderão funcionar melhor.

Aqui dois exemplos:
“Estou a ver que estás mesmo muito zangado e cheio de raiva. Sei que pode ser difícil falar quando estamos assim. E se me fizesses um desenho do teu monstro de raiva?”

“Essa ira toda parece muito forte! Queres inventar uma dança que mostra o quão zangado estás?


A chave é utilizar estas estratégias com muita paciência e um estado emocional pessoal regulado. Ou seja, quanto melhor os pais se sentirem, melhor funcionarão as estratégias. Lembra-te disso!
 

Mikaela ÖvénEstudou ciências comportamentais na Universidade de Lund, Suécia, e é licenciada em Recursos Humanos com a especialidade de desenvolvimento de competências pela Universidade de Malmo, Suécia. É coach e practitioner em Programação Neurolinguística, certificada em Competências de Relacionamentos nas Escolas, facilitadora Family Lab e instrutora de Mindfulness certificada desde 2012. Estudou Generative Coaching, Family Communications e Positive Parenting. É também fundadora da Academia de Parentalidade Consciente. Trabalha também com empresas, organizações, escolas e infantários, facultando workshops, cursos e consultoria. É mãe de 3 filhos.
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