DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Em Busca do Bom Professor - 2

A amostra do estudo O Impacto do Professor nas Aprendizagens do Aluno: Estimativas para Portugal é restrita a duas disciplinas num contexto de cerca de duas dezenas e abrange um período em que é complicado estabelecer comparações consistentes e fiáveis.
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Regresso ao tema da definição do que será o “melhor” professor (ou o “mais eficaz” ou o que teve “mais impacto” nos resultados dos alunos), a partir do estudo O Impacto do Professor nas Aprendizagens do Aluno: Estimativas para Portugal.

Hoje com maior atenção na questão dos dados de base usados para os cálculos, porque a amostra é restrita a duas disciplinas num contexto de cerca de duas dezenas e abrange um período em que é complicado estabelecer comparações consistentes e fiáveis, devido à alteração de programas das disciplinas, de critérios de avaliação e mesmo da próprias características das provas realizadas pelos alunos.

Reparemos no que é referido no estudo (p. 23): “Os dados abrangem o período que medeia entre o ano letivo de 2007/2008 e o ano letivo de 2017/2018. Focamo-nos nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, uma vez que são aquelas que são consistentemente cobertas por provas universais e comparáveis organizadas pelo Ministério da Educação”.

Só que durante esse período, pelo menos no Ensino Básico, não existem provas universais e comparáveis, porque se deram importantes mudanças, quer em 2012/13 (passagem de provas de aferição, sem impacto na avaliação final, para provas finais no 4.º e 6.º ano, com peso na avaliação final), quer em 2015/16 (com o fim das provas finais e a passagem a provas de aferição no 2.º e 5.º ano, com uma codificação diferente do desempenho dos alunos). O que torna muito questionável qualquer pretensão de fazer um estudo diacrónico do desempenho dos alunos, para mais pretendendo com isso aferir o “impacto” dos professores que tiveram.

Acresce ainda que entraram em vigor novos programas e metas curriculares em 2013, posteriormente substituídas pelas chamadas “aprendizagens essenciais”. Assim como o decreto-lei n.º 17/2016, de 4 de abril, estabeleceu “os princípios orientadores da avaliação das aprendizagens nos ensinos básico e secundário, e aponta para um modelo integrado de avaliação externa das aprendizagens para o ensino básico que clarifique os propósitos da avaliação”.

Que se considere possível fazer um estudo durante o período de 2007/08 a 2017/18 com todas estas alterações ao longo do percurso é, repito, no mínimo, muito questionável quanto à fiabilidade e comparabilidade dos resultados obtidos, por mais sofisticados que sejam os artifícios estatísticos usados.
*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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