DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Em Busca do Bom Professor - 1

Na última semana, surgiu um estudo promovido pelo Edulog que pretendeu demonstrar, recorrendo a ferramentas da econometria e ao modelo do “valor acrescentado”, o impacto da qualidade dos professores no desempenho dos alunos.
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Todos queremos ter bons profissionais em todas as ocupações, desde o funcionário que coloca parafusos no saco de acessórios para montar um armário daquela marca que sabemos até ao neurocirurgião que tenta arranjar-nos os “parafusos” que cada vez começam a estar mais baralhados nas nossas mentes. Ninguém deseja, salvo estranhas excepções, que existam electricistas, advogados, carpinteiros, arquitectos, calceteiros ou engenheiros das mais variadas especialidades.

A regra é que se pretenda que as pessoas com as competências mais adequadas desempenhem as funções para que estão não apenas habilitados formalmente, mas que revelam desempenhar com maior qualidade. Só que, se formos analisar o debate público em torno desta problemática, a verdade é que ele é quase exclusivamente ocupado pela discussão em torno da qualidade dos professores. Por “professores”, entendam-se os do Ensino Básico e Secundário, pois esse debate é muitas vezes desenvolvido por professores do Ensino Superior que só por manifesta distracção se ocupam na investigação e discussão em torno da sua própria qualidade.

Na última semana, surgiu um estudo promovido pelo Edulog que pretendeu demonstrar, recorrendo a ferramentas da econometria e ao modelo do “valor acrescentado”, o impacto da qualidade dos professores no desempenho dos alunos. Todos os estudos são passíveis de críticas mais ou menos extensas e/ou fundamentadas e este não foge a tal regra. Só que este estudo parte do pressuposto que se pode deduzir dos resultados dos alunos e de variáveis estritamente quantificáveis a “qualidade” de um professor.

Embora o título do estudo refira o “impacto”, expressão já de si passível de várias interpretações, a verdade é que o debate que suscitou foi no sentido de sublinhar a necessidade de identificar os “bons” professores e afastar os “maus”, sem que em nenhum momento se analise qualquer variável relacionada com o trabalho dos professores em sala de aula. Essa é a limitação mais evidente de um trabalho que acaba por seguir uma lógica similar à que considera como melhor operário, o que coloca mais parafusos durante uma hora.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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