DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Aferindo a Aferição

A prova em si não é particularmente difícil, embora a selecção de textos pudesse ser diferente (o texto C seria mais interessante para uma prova de 6.º ano) e exista um par de questões que exige mais do que compreensão do que está explícito.
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Decidi aplicar o “miolo” da prova de aferição de Português de 5.º ano às minhas turmas. Exclui aquela parte da oralidade em que se dá um áudio a ouvir aos alunos para responderem a duas ou três questões, até porque é algo que dá quase sempre problemas e gera atrasos por causa de “problemas técnicos”, assim como também deixei de fora a parte final de produção escrita. 

Reservei 60 minutos para o efeito, até porque já leccionei todos os conteúdos que saíram na prova, menos aquele que não faz parte do programa, das metas ou das coisas definidas oficialmente como “essenciais” (como já expliquei em crónica anterior), apesar da narrativa dominante sobre a necessidade de prolongar as aulas porque teriam ficado aprendizagens por realizar.

A prova em si não é particularmente difícil, embora a selecção de textos pudesse ser diferente (o texto C seria mais interessante para uma prova de 6.º ano) e exista um par de questões que exige mais do que compreensão do que está explícito. Como seria de esperar, as respostas múltiplas foram feitas com enorme rapidez (mesmo se nem sempre com acerto, por causa da falta de paciência e concentração) e as de resposta extensa (apenas as questões 11 a 13) em formato telegráfico pela maior parte dos alunos, porque não adianta esperar qualquer desenvolvimento em dias onde a pressa parece ser a regra. Nem que seja a pressa para ficar a nada fazer.

Ao fim de 30 minutos tinha metade ou mais de cada turma a olhar para mim de forma impaciente e a pedir para fazer desenhos, para ir à casa de banho, para beber água, para usar o telemóvel ou mesmo para ir escrever no quadro. Continuo sem ter elementos para confirmar a tese da perda das aprendizagens, mas tenho-os para a evidente perda da capacidade de estar uma vintena de minutos em silêncio e sem mexer em qualquer coisa. 

Ao olhar para o que se poderá interpretar como resultados, fiquei a pensar que gostaria de ver esta prova a ser feita por alunos do 8.º ano e até que ponto o desempenho seria sensivelmente melhor.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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