DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Despedidas

Pelo que, mesmo em tempos de pandemia e sem que isso implique ajuntamentos festivos despropositados, justifica que se assinale de alguma forma este momento de transição.
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Esta semana concluiu o Ensino Básico uma turma de que fui director entre o 5.º e o 8.º ano. Foram, salvo excepções (como o par de alunos que ingressou mais tarde, proveniente do Brasil, ou o outro par que demorou mais na ordem dos onze anos a completar o trajecto), nove anos de vida escolar passados no agrupamento e cinco na escola. 

Nove anos que, mesmo em tempos de pandemia, não devem terminar como se quase de nada se tratasse, como se fosse um momento como qualquer outro. Sendo uma Escola Básica, são “finalistas” e para o ano estarão algures, seguindo outros caminhos, quantos deles bem diversos e imprevisíveis. Talvez um dia se lembrem e possam vir visitar a “antiga escola”, mas há quem não poderá ou terá oportunidade de regressar.

Pelo que, mesmo em tempos de pandemia e sem que isso implique ajuntamentos festivos despropositados, justifica que se assinale de alguma forma este momento de transição. Chega algo muito simples, mas que seja feito com alma e não apenas como mera formalidade do tipo, toma-lá-o-diploma-e-até-nunca

Por isso, foi com um gosto muito especial que me juntei a eles, após um ano de interrupção da presença comum em sala de aula, a convite da actual directora de turma para recordar com a brevidade que as circunstâncias exigem alguns dos muitos momentos de quatro anos de convívio diário, especialmente intenso durante os anos do segundo ciclo. E soube bem. Foi uma despedida com sorrisos e poucas palavras, que esta coisa dos afectos se deve mais praticar e sentir cá dentro do que enunciar para consumo público.

Em ano em que não houve a tradicional foto de grupo, lá se registou o momento, para memória futura, com a devida segurança. Para que reste algo de físico de uma fase importante da vida de qualquer jovem, não chegando apenas a memória imaterial, por vezes traiçoeira. Memória das pessoas e dos espaços onde tanto se passou. Para mais tarde recordar. Eles e eu.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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