DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Estudo Amostral (e Solidário?)

Vou focar-me antes na curiosidade da designação “estudo amostral da aferição das aprendizagens” e nas dúvidas que me levanta – como no estudo do IAVE feito há uns tempos – a selecção da amostra.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Na noite de domingo (sublinho, durante a noite de domingo), dia 13 de Junho, chegou ao meu agrupamento um conjunto de informações que deveriam ser transmitidas aos professores classificadores convocados para o “Processo de classificação do estudo amostral da aferição das aprendizagens do 2.º, 5.º e 8.º anos /2021”

Não vou transcrever as informações para não deixar ninguém embaraçado, mas é estranho quando as ditas cujas são enviadas a 13 de Junho (mesmo que já noite avançada) “na sequência do envio das convocatórias, a partir do dia 14 de junho, para a classificação dos instrumentos de aferição amostral”. Eu sei que o tempo é relativo, mas poderia existir um pouco mais de cuidado na forma como tudo isto se apresenta porque é razoável esperar-se que de um Júri Nacional de Exames venha prosa escorreita na sua sequência lógica ou temporal.

Mas deixemo-nos de bizantinices linguísticas que isso é coutada de outros. Vou focar-me antes na curiosidade da designação “estudo amostral da aferição das aprendizagens” e nas dúvidas que me levanta – como no estudo do IAVE feito há uns tempos – a selecção da amostra. Foi aleatória como se afirma? Pelo que leio em vários sites de agrupamentos, as escolas foram “seleccionadas”, mas não dá para perceber que critérios foram usados. Se a amostra é devidamente estratificada em termos geográficos, por contexto socio-económico, dimensão das escolas, das turmas, etc, etc.

Para além disso, a contrapartida de tal “selecção” foi que os professores dessas escolas/agrupamentos ficaram isentos da obrigação de classificar as provas, pedindo-se às direcções dos estabelecimentos de ensino não seleccionados para indicarem nomes para uma “bolsa solidária”, de âmbito nacional, de classificadores. Ou seja, os classificadores serão professores que não pararam as aulas para realizar as provas e, no caso dos 2.º e 5.º anos, terão aulas até dia 8 de Julho.

Ora bem… pessoalmente, tal como no caso do voluntariado, não gosto de delegar a aplicação da minha solidariedade a ninguém. Nem voluntário à força, nem solidário por procuração. Muito menos por convocatória. Muito menos para um qualquer “estudo amostral”. Pelo que me resta saber se posso fazer parte de um qualquer “estudo amostral de aferição da solidariedade dos professores do 2.º, 5.º e 8.º anos/2021”.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.