DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Legados

Resta a quem parte pensar no tipo de “legado” que deixou e como ele está tão directa e quase exclusivamente ligado ao modo como conseguiu deixar uma marca na memória dos seus alunos.
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No ensino não-superior, em especial em tempos de massificação e descaracterização da profissão docente, é praticamente nula a preocupação com o que podemos chamar “legado” de uma carreira dedicada ao ensino. Na Academia, ainda se tem o ritual da jubilação e é comum que os “discípulos” homenageiem aqueles que consideram, com sinceridade ou oportunismo, os seus “mestres”. Um hábito que aplaudo, mesmo se nunca pratiquei, enquanto “discípulo”.

Mas de volta ao ensino básico e secundário, começa a ser cada vez mais raro que à saída da profissão, em especial quando é por limite de idade e longa carreira, colegas e ex-alunos façam em vida a, em muitos casos, merecida homenagem a quem parte. E é pena, mesmo se cada vez é mais generalizada a falta de solidariedade ou o reconhecimento pelos pares. Por parte dos alunos, é normal que em muitos casos, nem se saiba que determinad@ professor@ se aposentou e abandonou as salas de aula.

Resta a quem parte pensar no tipo de “legado” que deixou e como ele está tão directa e quase exclusivamente ligado ao modo como conseguiu deixar uma marca na memória dos seus alunos. O “legado” de um professor é o que conseguiu ser na sua relação com os seus alunos. Não é, e tenho quase a certeza que nunca será, o currículo em matéria de “lideranças” (intermédias ou de topo), de desempenho de cargos de “supervisão” ou de elaboração de planos cheios de tabelas, metas e objectivos ou grelhas de registo e monitorização de actividades.

O trabalho relevante de um professor é o que se passa em aula, com mais ou menos esforço, nem sempre com o melhor ânimo e quantas vezes com a consciência de nem sempre conseguir dar o melhor que poderia. Com os alunos. O resto? Não passam de irrelevâncias transitórias de que, justamente, poucos (ou nenhuns) se lembrarão.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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