DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Carregado com um Computador, sou um Inovador!

Com valor redobrado, se for computador pessoal de quem se exibe na sala de professores, sentado em pose demonstrativa de um Processo de Inovação em Curso Acelerado (PICA).
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Todos conhecemos o dito popular de que qualquer burro carregado com livros é, ou pelo menos parece, um doutor. Nas escolas, tem-se divulgado nos últimos meses, talvez neste último par de anos com maior intensidade, a variante que serve de epígrafe a este verbete diarístico. 

Com valor redobrado, se for computador pessoal de quem se exibe na sala de professores, sentado em pose demonstrativa de um Processo de Inovação em Curso Acelerado (PICA). Claro que é raro vermos o que está exactamente a acontecer, porque o monitor fica virado estrategicamente para a parede ou para a janela exterior, por onde só passam alunos desinteressados do assunto, mas isso não interessa nada, porque a aparência é quatro quintos do caminho por andar.

Distingue-se com alguma facilidade o ar da pessoa que inova defronte do computador, porque a expressão facial é muito específica, irradiando concentração extrema quando o olhar se foca no equipamento, apenas variando para um misto de relaxamento e condescendência para com os vulgos envolventes, nos momentos em que é preciso fazer uma pausa na inovação e, quiçá, sugerir a importância de todos fazerem uma qualquer formação ou participarem naquele espectacular projecto colaborativo acabado de aprovar nas instâncias competentes.

O docente que revela estar em PICA é a esperança da Educação no século XXI, porque traz o seu equipamento para a escola e tem um conhecimento muito detalhado de um ou dois programas que todos os que não estão em PICA deveriam conhecer e usar com abnegação, mesmo que isso nada adiante para melhores aulas ou tornar a leccionação mais eficaz. Porque – é bom que se destaque isto – quem está em PICA nas escolas preocupa-se em especial com a monitorização e o registo das actividades implementadas ou por implementar. Porque sem monitorização e registo não há inovação.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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