DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Parecer

Há pessoas que fazem tudo por parecer muita coisa. Parecer que já fizeram tudo, que sabem, que estão atentas, que se preocupam. Porque gostam de parecer bem e ficar bem na foto pública das pessoas que têm boa aparência.
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Há pessoas que fazem tudo por parecer muita coisa. Parecer que já fizeram tudo, que sabem, que estão atentas, que se preocupam. Porque gostam de parecer bem e ficar bem na foto pública das pessoas que têm boa aparência.

Já no meu caso, fico quase sempre mal nas fotografias, porque em matéria de aparência pareço mal ou não pareço uma série de coisas. Parece que não vejo ou não ouço, que não me ocupo ou preocupo com as coisas certas, que estou desatento e me distraio do que é importante. 

Ao fim de anos, há quem ainda me tome a aparência pelo seu valor facial, se me permitem a tautologia, a redundância, o pleonasmo. E que ache que deve ver, ouvir, atentar e preocupar-se por mim, já que eu pareço não o fazer. Por mim, tudo bem, cada um@ ocupa o seu tempo como entende. O problema é quando isso faz me perder tempo, sem especial ganho para ninguém, a explicar que vejo, ouço, dou atenção preocupo-me e – surpresa das surpresas – ajo em conformidade, sem necessidade de empurrões, avisos ou lembretes cheios daquelas intenções que se não povoam o Inferno, deveriam povoar.

Não é que não me engane ou que não tenha dúvidas, que as tenho e cometo os meus erros. Mas raramente é nas situações em que outras pessoas acham que devem intervir porque lhes parece que eu não dei a devida atenção ou prosseguimento ao que consideram ser importante. O mais certo é eu não me ter preocupado em parecer que tratei da situação, mesmo que dela tenha tratado na altura adequada. Até porque o esforço e tempo usados para dar essa aparência podem ser-me mais úteis para algo mais interessante.

Peço desculpa pelo desabafo, mas é fim de semana e por vezes há que libertar algum vapor acumulado, sem receio de parecer mal.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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