DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Flexibilidade Impositiva

Afirma-se que tudo deve ser flexível e diferenciado, mas há limites muito claros para o que se considera admissível em matéria de heterodoxias ou “boas práticas”.
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Afirma-se que tudo deve ser flexível e diferenciado, mas há limites muito claros para o que se considera admissível em matéria de heterodoxias ou “boas práticas”. Há recomendações feitas com bonomia até ao momento em que se percebe que poderá existir mais do que apatia na implementação. Percebendo-se que há o risco de alguma resistência activa, surgem as veladas ameaças.

A mais explícita foi no início de 2019, quando um governante verbalizou publicamente que as escolas que não aplicassem da forma tida como correcta um determinado diploma, ainda se arriscariam à visita de uma inspecção destinada a fiscalizar se tudo estava a decorrer conforme as ordens superiores. O assunto deu origem a protesto do sindicato dos inspectores e parece que as coisas ficaram por ali, mesmo se a nuvem ameaçadora permaneceu.

Por estes dias, de forma mais afastada da comunicação social, anda a ser transmitido às escolas, através das reuniões com as suas Equipas de Desenvolvimento Digital, que é boa ideia que os PADDE (Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas) sejam feitos de acordo com o figurino, assim como as formações a fornecer pelos CFAE (Centros de Formação de Associações de Escolas) devem concentrar-se nas novas prioridades digitais e deixarem-se de coisas mais “enciclopédicas” como a actualização dos conhecimentos disciplinares. Caso contrário, lá poderia aparecer uma inspecção e as coisas terem consequências menos agradáveis.

Claro que com a prática de deslizes passados, estas coisas não deixam rasto documental e raramente assomam em público. Ou seja, cuida-se que nada possa ser provado de forma inequívoca, para além dos testemunhos pessoais de quem assistiu e ouviu. Mas não se pode arriscar a dizer que assim é. E a nuvem ameaçadora está novamente de volta.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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