DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Rankings

As médias subiram, mas a distância entre a base e o topo cresceu. Os resultados melhoraram, mas de forma desigual.
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Ontem, cumpriu-se o ritual anual da divulgação dos rankings elaborados com base nos resultados dos exames nacionais do Secundário. Por causa do contexto pandémico, não se realizaram as provas finais do Ensino Básico, pelo que este ano metade das listagens ficou por fazer. 

Ainda por causa do contexto pandémico, as regras mudaram nos exames do Secundário, realizados apenas por alunos que desejassem seguir estudos e com uma metodologia de classificação diferente da habitual, que contemplava a não contabilização de parte das questões erradas pelos alunos.

Como seria de esperar os resultados subiram bastante em quase todas as disciplinas, assim como as médias globais das escolas e do país. Na altura da divulgação dos resultados, até porque o número de vagas aumentou, houve uma sensação quase generalizada de “sucesso”, de se ter lidado bem com a situação e ter-se garantido bons resultados aos alunos.

Perto de um ano depois, após uma análise mais detalhada, que vá para além de uma seriação acrítica de médias, percebe-se um retrato diferente. As médias subiram, mas a distância entre a base e o topo cresceu. Os resultados melhoraram, mas de forma desigual. Há menos escolas com médias inferiores a dez, mas ficaram mais longe das que ocupam os lugares mais destacados nas várias listagens disponibilizadas pela comunicação social.

Não adianta proclamar muitos amores pela inclusão e afeições desmedidas pela equidade se, medida após medida, as desigualdades aumentam e se criam ambientes fictícios de sucesso. Havendo as mesmas vagas, não é a melhoria das médias que aumenta o acesso. Havendo mais vagas, como aconteceu, esse acesso pode melhorar, mas de modo assimétrico relativamente aos cursos mais procurados.

Há quem critique a divulgação dos rankings, por dar uma imagem distorcida do trabalho desenvolvido nas escolas. Compreendo a argumentação, mas discordo, porque o retrato que é feito é duro, nem sempre agradável, tem evidentes “desfocagens”, mas está longe de ser uma ficção. Ficção é não divulgar os dados e elaborar “narrativas” em que se propagandeia um falso sucesso para todos.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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