DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Ontem, Faltei

 Há alturas em que é preciso respirar, em especial quem tem o horário baseado na docência e não em outras coisas, altamente estimáveis, por certo, mas acreditem que menos desgastantes.
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Não foi porque existiu greve e a escola fechou. Não foi porque estive doente, com qualquer efeito diferido da vacina. Não foi um imprevisto. Foi uma falta dada “em consciência”, porque havia uma efeméride familiar e, para além disso, estou cansado.

E não me sinto embaraçado em o admitir, até porque o expliquei aos alunos, no início da semana: “pessoal, na 5ª feira vou faltar, porque preciso; nada de grave, apenas preciso de dar uma falta sem ser por causa de uma qualquer obrigação aborrecida”. A seguir informei as funcionárias de apoio ao bloco onde dou aulas e da portaria da escola, para que soubessem que uma das turmas poderia sair mais cedo. 

Faltei porque esse ainda é um direito que ainda me assiste ao abrigo do artigo 102 (talvez o mais detestado pelos do costume, a seguir ao 79), que me permite faltar sete dias ao longo de todo o ano lectivo, não recebendo o subsídio de refeição. Faltei agora um dia, para evitar mais adiante alguns mais. Há alturas em que é preciso respirar, em especial quem tem o horário baseado na docência e não em outras coisas, altamente estimáveis, por certo, mas acreditem que menos desgastantes.

Atingi aquele ponto em que já nem me interessa o que acharão de tal admissão os escrevinhadores e papagueadores do costume, sempre prontos para apontar pecadilhos e privilégios imaginários aos professores. Até porque a maioria nem se mexe muito do lugar e em matéria de tempo útil de labor teria pouco a ganhar em comparações com qualquer professor “regular”.

Ontem, faltei principalmente porque estava cansado. Os ganhos de tal falta para os alunos, acreditem, superam de longe as perdas.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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