DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Descritores

No caso da avaliação dos professores, há muito que temos direito a umas listas de “descritores” ou “indicadores”, em que tudo se pretende quantificar, mesmo quando essa quantificação é baseada na subjectividade
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Existe uma estranha deriva, que nem é recente, no sentido de tornar “objectiva” a avaliação em Educação. Embora essa pretensa “objectividade” tenha variantes muito diversas conforme se trate de alunos ou professores, existe uma obsessão com a “quantificação” do desempenho. E nunca me canso de repetir que esta obsessão é especialmente contraditória em quem leva imenso tempo a dissertar sobre o carácter formativo da avaliação.

Há uns anos, houve aquela ideia peregrina de se contabilizarem as palavras lidas por minuto pelos alunos, à moda dos exames para dactilógrafas de meados do século XX. A coisa desapareceu, mas ficaram outras, menos ridículas a uma primeira vista, mas de igual modo reveladoras de uma mentalidade demasiado simplista no modo de encarar a avaliação, como algo que se pode reduzir a cruzinhas e checklists. Em tempos de E@D, por exemplo, tiveram alguma duvidosa popularidade umas grelhas para registar as “interacções” nas aulas síncronas e nas actividades assíncronas.

No caso da avaliação dos professores, há muito que temos direito a umas listas de “descritores” ou “indicadores”, em que tudo se pretende quantificar, mesmo quando essa quantificação é baseada na subjectividade. Há uns dias, lia um desses documentos, em que se explicitavam “descritores” sobre as actividades promovidas pelos docentes com os alunos, mas depois não se explicava se isso se aplicava a casos em que era exclusivamente @ docente em causa a promover, se contavam iniciativas promovidas apenas numa turma ou mais turmas, em sala de aula ou no espaço escolar. Ou seja, se alguém dissesse que tinha coordenado a aplicação de um questionário online (de sua autoria, espera-se) por período numa turma isso contaria o mesmo do que promover (mesmo que em parceria) actividades no espaço escolar, dedicadas a toda a comunidade e mobilizando várias turmas para a sua implementação.

O que eu gostaria mesmo é que existissem descritores para avaliar a qualidade de quem se dedica a produzir descritores para avaliar o desempenho alheio.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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