DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Recuperações

Desde os tempos de aluno que me lembro de professores que faziam “testes de recuperação” quando a turma se espalhava em grande e o número de “negas” ultrapassava o razoável.
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Desde os tempos de aluno que me lembro de professores que faziam “testes de recuperação” quando a turma se espalhava em grande e o número de “negas” ultrapassava o razoável. Havia uma excepção – uma certa professora minha de História, lá teria de ser – que parecia ter especial prazer em dificultar a vida aos alunos, mas a regra não era essa.

Como professor, não apenas por mimetismo, mas porque me pareceu sempre razoável, habituei-me a fazer fichas ou actividades de “recuperação” na sequência de um momento de avaliação em que os alunos não corresponderam ao esperado e tiveram resultados muito pouco satisfatórios. Como costumo ser rápido a ver e classificar testes ou fichas de trabalho (qualquer aluno meu o poderá confirmar, não é auto-elogio), é habitual fazer a correcção na aula seguinte ou, no máximo, 2-3 aulas depois se for um teste de Português feito à 2ª feira (porque demora mais a ler tudo). E ainda a semana passada fiz a tal ficha de recuperação, com os mesmos conteúdos, podendo mesmo ser a própria ficha de avaliação feita anteriormente. 

Não é nada de excepcional e acho mesmo que é uma espécie de metodologia padrão para grande parte dos docentes. Avaliar a progressão das aprendizagens dos alunos, comunicar o que não correu bem, desenvolver estratégias de remediação, recuperação ou remediação (como lhes queiram chamar) e verificar de novo como estão as coisas.

Só que em tempos de recauchutagem do velho, como verniz para parecer novo, fazer isto passa por ser enorme inovação, desde que se lhe coloque a palavra “Projecto” e se acrescente mais qualquer termo identificativo que sirva para servir de pretexto para “formação”. Há casos em que até vejo antigos colegas meus, que sabem fazer isto há décadas, ser nomeados como “embaixadores” de tamanha novidade.

Pronto… cada um faz pela sua vida como pode, mas a roda já foi inventada e aplicada, pelo que não é chamar-lhe “circulatura móvel” que a transforma em coisa diferente do que é há tanto tempo. 

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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