DIÁRIO DE UM PROFESSOR

A Língua

Ontem, foi Dia Mundial da Língua Portuguesa, assim com maiúsculas e alguma pompa nos discursos e declarações de intenções
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Ontem, foi Dia Mundial da Língua Portuguesa, assim com maiúsculas e alguma pompa nos discursos e declarações de intenções. Que a Língua Portuguesa tem uma “carácter global” (António Costa), que é uma “língua de solidariedade” (Marcelo Rebelo de Sousa), que é “pluricêntrica” (António Nóvoa).

Sim, tudo isso e muito mais. 

Só é pena que seja uma língua aprisionada por interesses académicos e comerciais, transfigurada de acordo com modas que a descaracterizam para ter um pretenso maior apelo internacional. É pena que seja uma língua cujo ensino seja refém de disputas entre cliques de “especialistas” em linguística que a parecem querer transformar numa espécie de ciência exacta só que sem qualquer exactidão que me explique porque temos “cor de laranja” e “cor-de-rosa”, só para dar um exemplo anedótico muitas vezes usado.

É ainda pena que o ensino da Língua Portuguesa, em especial no Ensino Básico, pareça estar subordinado a uma lógica de “aprendizagens essenciais” e não de aprendizagens extensas. Porque tanta proclamação de amor pela língua de pouco adianta se descurarmos a base de tudo, se condescendermos e relativizarmos a sua importância prática e esquecermos o prazer no seu uso em nome de um indiferenciado utilitarismo.

Mais do que a minha Pátria, a minha Língua deve ser a nossa Alma.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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