DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Ainda a Autoridade

Há professores que, embora debitando sebentas de conselhos acerca da forma de se ser flexível, compreensivo, empático, amigo dos alunos, praticam o completo inverso mal se encontram numa posição de poder sobre os seus colegas, nem que seja por mero formalismo administrativo.
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Gostaria de acrescentar em relação à crónica de ontem que os professores desistiram, em grande número e por razões nem sempre incompreensíveis (que podem ir da fragilidade psicológica à convicção verdadeira, não esquecendo o próprio comodismo), de exercer uma verdadeira autoridade sobre os seus alunos, mas que é raro perderem a ocasião para a exercer sobre aqueles que são teoricamente seus pares.

Há professores que, embora debitando sebentas de conselhos acerca da forma de se ser flexível, compreensivo, empático, amigo dos alunos, praticam o completo inverso mal se encontram numa posição de poder sobre os seus colegas, nem que seja por mero formalismo administrativo.

Não estou a referir-me a críticas, discordâncias, conselhos, que, com maior ou menor propriedade ou justificação, fazem parte de todos os quotidianos profissionais, mas sim àquela maneira de exibir o poder de mando na base do “argumento de autoridade”, embora frequentemente deva essa capacidade de impor algo a mero arbítrio ou circunstância menor.

Ontem, parafraseei Jorge Jesus, o que pode ter “alevantado” muitas reservas, pelo que, perdido por um, hoje vou mais além e entro pelo território movediço da sabedoria popular. Diz-se desde tempos em que a memória ainda servia de veículo de transmissão de conhecimentos em boa parte úteis, que “não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”. E aplica-se como um espelho fiel a muita gente que ainda há uma dúzia de anos batia no peito de forma intensa contra o tipo de práticas que agora aceitar aplicar com rigor de zelota, argumentando que sem isso o sistema não funciona. Pena é que o sistema, sendo mau, não deveria mesmo funcionar.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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