DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Potencial

Quando vejo um@ alun@ a quem reconheço capacidades não usadas, sinto a necessidade de @ provocar para que recorra a elas.
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Quantas vezes já ouvimos – e dissemos – a frase “est@ alun@ tem potencial”? Muitas, certo? E dessas vezes, quantas se aplicavam a um@ alun@ que não estava exactamente a explorar ou a aplicar esse potencial da maneira mais adequada? A maioria delas, correcto? Porque se estivesse a aproveitar o seu potencial, não precisaríamos de o referir.

A realidade é que na maior parte das vezes falamos do potencial de alguém, quando ele está em sub-rendimento ou a ser negligenciado. E em muitas situações, em torno de quem assim está pensa-se em criar as condições propícias para o que está em potências se possa manifestar na sua plenitude. E é nesta fase que divergem as estratégias ou as formas de pensar como resolver a situação. 

Cada vez mais, tem prevalecido a atitude que acha que é adaptando os padrões de exigência, rigor ou disciplina que se consegue que o que está latente venha à superfície. É a estratégia que erradamente se apresenta ou considera como “inclusiva”. Se @ alun@ tem “potencial” e não o consegue aplicar é porque aquilo que o rodeia está errado e só indo ao encontro dos seus interesses e apetências é que @ poderemos cativar e, em seguida, conduzi-lo ao “sucesso”.

Discordo desta estratégia, porque se existe “potencial” a sério, ele só poderá manifestar-se plenamente se o desafio for no sentido d@ alun@ se esforçar por o demonstrar. Se lhe forem feitos desafios exigentes, que o façam sair da sua cápsula de indiferença ou desinteresse e revelar tudo aquilo de que é capaz.

Se alguém tem “potencial” é porque consegue ir mais além do que está a ir, porque consegue fazer mais e melhor, pelo que é um erro baixar a fasquia ou mudar as linhas do campo para maior conveniência ou capacidade de atracção. Se alguém tem potencial, a atitude correcta, em meu entendimento, é fazer com @ alun@ supere as suas eventuais inadequações (sociais, emocionais, culturais) e se envolva nesse processo. Indo mais longe, não ficando mais perto.

Quando vejo um@ alun@ a quem reconheço capacidades não usadas, sinto a necessidade de @ provocar para que recorra a elas. Criando-lhe um ambiente seguro para se exprimir, mas não limitando as suas possibilidades, com base numa concepção errada de que essa segurança só se consegue desse modo equivocamente tido como “inclusivo”. Porque acho que esse é meio caminho para que o tal potencial se fique apenas pela promessa, contentando-se com menos do que pode alcançar.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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