A PARTIR DA INTENÇÃO

Transforma-te na outra pessoa e continua a partir daí

A maioria dos pais têm o desejo de que os filhos lhes obedeçam. Querem dar uma ordem, as crianças aceitam e executam.
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A maioria dos pais têm o desejo de que os filhos lhes obedeçam. Querem dar uma ordem, as crianças aceitam e executam.

Muitos chefes sentem o mesmo. E em tempos de crise somos muitos que achamos que deveria bastar as autoridades indicarem o que é para fazer e toda a gente faz.

Mas mesmo quando temos autoridade, como pais ou chefes, através da nossa profissão ou como líderes de um país, o nosso poder não vai longe se os outros (os nossos filhos, colaboradores ou concidadãos) não acreditarem que o que estamos a fazer é com o seu maior interesse em mente.

A força de conexão, de aproximação, de empatia é muito maior que a força do controlo, da imposição e do julgamento, particularmente quando conseguimos encontrar o cruzamento entre as necessidades do outro e os nossos objetivos.

O Mestre Zen Tanouye Roshi dizia: “Transforma-te na outra pessoa e continua a partir daí.” Transformarmo-nos no outro significa escutar além dos nossos preconceitos e dos nossos julgamentos. Significa desligarmo-nos das histórias que estamos a contar sobre o outro, sobre o que ele deveria ou não deveria fazer, para assim entrarmos na sua mente e entender os seus pensamentos e as suas necessidades. Significa entender os seus medos e os seus receios, a sua forma de olhar o mundo. Aplica-se a pais, chefes, professores, vendedores, mediadores e em qualquer situação onde queremos influenciar o outro.

Imagino que possas estar a pensar que “nem sempre há tempo para isso!”. Mas não é bem assim. Paradoxalmente, ou não, empatizar profundamente oferece-nos rapidamente informação útil e quanto mais procurarmos praticar empatia mais rápido ainda. Quando conseguirmos calar o nosso comentador interno, a informação chega-nos num instante.

A partir daqui, temos a oportunidade de mostrar como o que estamos a pedir, está diretamente ligado às suas necessidades. Não quer dizer que o outro vai sempre concordar, mas a probabilidade de colaboração aumenta exponencialmente. Pois a vontade de empatizar quando recebemos empatia normalmente é grande. E assim, conseguimos influenciar através da conexão em vez do controlo. Quanto menos ego colocarmos neste processo de influência, mais influência teremos, quanto mais nos focarmos em aproximação em vez do afastamento, melhor. E isso é verdade em qualquer relação.

Mas se continuares a agir achando que praticar empatia e influenciar o outro é para conseguires que o outro faça o que tu queres, então é provável que não tenhas sucesso, estás a continuar a querer controlar.

Eu entendo que em situações urgentes e em situações de crises muita gente não tem paciência para sequer considerar uma alternativa às ordens. Estamos ansiosos, angustiados, com medo do futuro. A incerteza é tanta que nos queremos agarrar às poucas certezas que há.

Se estás a ler isto e a sentir-te ofendida, ou que eu não percebo a gravidade da situação, e não tens abertura nenhuma para considerar o que estou aqui a propor, então é porque não estou a conseguir empatizar o suficiente contigo.

Entendes onde quero chegar?

A influência não tem nada a ver com a força dos meus argumentos, o quão certa eu estou, o quão inteligente eu sou, que posição ocupo, onde me encontro na hierarquia, ou quantas pessoas têm a mesma opinião que eu. Não é sobre mim. É sobre a pessoa que quero influenciar. E por isso tenho de me “transformar nela”.

O primeiro passo é entenderes-te a ti mesma. Observa na primeira posição. Quais as tuas verdadeiras necessidades. Porque queres o que queres? Porque queres influenciar o outro?

O segundo passo implica pôr em prática o conselho do Tanouye Roshi: Transforma-te no outro. Entra nesta segunda posição. O que vês? O que sentes? O que precisas? O que queres? (quando és o outro)

O terceiro passo implica utilizares a informação que obtiveste para apresentares as tuas ideias através da empatia. Começa sempre por demonstrar empatia e compreensão. Reconhece a posição, as necessidades e as opções do outro. Mostra que sabes quais as suas necessidades e os seus desejos e explica como elas também podem ficar satisfeitas através da tua proposta.

Se não conseguires pensar em coisas concretas convida o outro a contribuir para a solução. Podes apresentar os teus receios, os teus medos, as tuas necessidades e desejos, depois de reconheceres os da pessoa que queres influenciar, seja ela o teu filho, o teu colega, a tua mãe ou um concidadão.

Numa situação de crise, mais do que nunca, temos de estar unidos. E quem conseguir influenciar mais e melhor, liderará o caminho para a solução.

Mikaela ÖvénEstudou ciências comportamentais na Universidade de Lund, Suécia, e é licenciada em Recursos Humanos com a especialidade de desenvolvimento de competências pela Universidade de Malmo, Suécia. É coach e practitioner em Programação Neurolinguística, certificada em Competências de Relacionamentos nas Escolas, facilitadora Family Lab e instrutora de Mindfulness certificada desde 2012. Estudou Generative Coaching, Family Communications e Positive Parenting. É também fundadora da Academia de Parentalidade Consciente. Trabalha também com empresas, organizações, escolas e infantários, facultando workshops, cursos e consultoria. É mãe de 3 filhos.
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