DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 67 – Surpresas Agradáveis

É gratificante quando se tem alunos que gostam de ir além do que são os conteúdos curriculares, que questionam, que querem saber mais. 
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É gratificante quando se tem alunos que gostam de ir além do que são os conteúdos curriculares, que questionam, que querem saber mais. Que não hesitam em perguntar ou em informar-se sobre assuntos que os interessam ou acerca dos quais sentem curiosidade. Que vão contra os lugares-comuns que afirmam que os jovens de hoje só querem saber do presente, das tecnologias. Alunos que não acham chatos os tais saberes “enciclopédicos” e que querem que o professor os guie na pesquisa ou que discuta com eles aspectos que vão muito além do previsto nos documentos oficiais.

Alunos para quem o conhecimento é um prazer e não uma obrigação. Que não estudam apenas porque querem ter grandes notas. Que ainda têm aquele brilho no olhar e para quem a escola não é apenas espaço de socialização.

Não sei se são raros. Mas sei que nem sempre tenho a sorte de encontrar vários assim numa mesma sala. Que iniciam uma conversa sobre mitologia e a aguentam, se necessário for, um tempo lectivo quase inteiro. Que pedem para contar “histórias” aos colegas, sendo que tais histórias são mitos clássicos. Havendo quem, se um detalhe falha ou falta, se oferece para completar sem alardear com isso qualquer atitude de superioridade.

Alunos que conseguem, a propósito da vida na Corte na Idade Média, dada ao nível de um 5º ano, estabelecer relações com outras épocas históricas, porque gostam de ler e o fazem com gosto. Para quem informar-se não é acumular factos sem contexto. Alunos que nos fazem recordar porque gostamos de dar aulas e conversar. Porque uma aula pode ser apenas uma conversa. Sem necessidade de teorizações em torno disso, como aquelas que apresentam o professor como mero animador social. Apenas uma conversa, em que cada um participa com as suas capacidades e em que cada um tem o seu papel. Que todos reconhecem e aceitam de forma pacífica. Quando uma sala de aula é uma zona de conforto.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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