DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 57 – Desta Vez, Sou Eu

Regresso hoje para 4 tempos lectivos e dois não lectivos, prevendo-se que seja testado apenas no próximo dia 8. Quanto à vacinação, nem me apetece voltar ao assunto, de tão tóxico que está.
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Hoje é o dia de regressar ao regime presencial, pois lecciono turmas do 5.º ano. O ano lectivo passado, quando se deu o regresso às escolas, foram as raparigas de casa (mãe e filha, ambas “secundárias”) a voltar, ficando eu em E@D. Vagas diferentes, critérios diferentes, pois ainda andamos a tactear muita coisa e a tomar medidas com dados trabalhados com duas semanas de atraso, o que não deixa de ser estranho na idade da informação veloz. Regresso hoje para 4 tempos lectivos e dois não lectivos, prevendo-se que seja testado apenas no próximo dia 8. Quanto à vacinação, nem me apetece voltar ao assunto, de tão tóxico que está.

Prefiro assim, confesso, pois talvez regressem (ou não) com outro tipo de contexto. Pelo menos, espero que já com dados que permitam avaliar até que ponto este desconfinamento que é gradual no papel, mas quase só relativamente a escolas, restauração e serviços públicos, poderá causar uma eventual quarta vaga de contágios. Já se sabe que o Rt está a subir, o que era inevitável, desde 10 de Fevereiro, tendo ultrapassado o limite de 1 no Algarve e estando muito próximo desse valor no Alentejo e Norte.

De acordo com o relatório, divulgado no sábado, da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge “a análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas. (…) O atual período pascal e o início do desconfinamento são fatores que podem interferir nesta situação, com reflexos que demorarão algumas semanas a ser visíveis".

É este atraso de semanas na capacidade de analisar a situação que me preocupa, desejando que antes de dia 19 se tomem decisões com base empírica actualizada e não apenas sob a pressão de um grupo de opinadores muito mediatizados. Porque, se é verdade que experimentámos um período dramático da pandemia antes de outros países europeus, não é menos evidente que se na Europa os indicadores estão a disparar antes de qualquer possibilidade de “imunidade de grupo”, dificilmente isso passará ao nosso lado. 

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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