DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 42 – Confiança

Amanhá começa a última semana do 2.º período para quem manteve a organização tradicional do tempo escolar, em regime presencial ou remoto. A semana em que, bem ou mal, o grande tema acaba por ser sempre a avaliação. A
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Amanhá começa a última semana do 2.º período para quem manteve a organização tradicional do tempo escolar, em regime presencial ou remoto. A semana em que, bem ou mal, o grande tema acaba por ser sempre a avaliação. A maioria dos alunos ansiosos por saber o que vai resultar do seu esforço neste tempo estranho e os professores com alguma insegurança acerca dos critérios a adoptar em território que ainda continua estranho.

Cruzam-se conversas e ideias entre colegas, quando e com quem isso ainda é possível, percebendo-se a clara diversidade de situações verificadas, por vezes pela mesma pessoa com turmas diferentes ou mesmo no contexto de cada uma. Algo que acontece sempre, mas que o regime não-presencial agravou.

No plano do funcionamento interno das escolas, não sou dos que gostam de imposições que limitam os dilemas, mas ao mesmo tempo cortam a liberdade, mas também me desgostam as variedades mais extremas de laissez faire ao gosto de cada um. Mas consigo lidar com quase todas as soluções, porque é rara aquela em que o espartilho criado não é passível de rompimento ou em que não se possa dar alguma ordem à desorientação.

Porque o que me preocupa mais é até que ponto os alunos confiam em mim e nas minhas decisões. Até que ponto eles me encaram com alguém justo e atento à tal diversidade de situações individuais. Até que ponto consegui, ao longo de mais ou menos tempo, transmitir-lhes confiança e segurança de que farei o que está ao meu alcance para ser justo e que esse alcance vai até até aos limites do que é possível e razoável. Não o faço através de negociações, compromissos ou contratos, como chegou a ser moda e ainda é praticado, com os alunos, mas através da demonstração prática ao longo dos meses ou anos de trabalho e convívio.

Tenho sempre algumas dúvidas e nem sempre a certeza de fazer tudo bem, mas é muito raro achar que as minhas decisões não foram compreendidas, mesmo quando o debate ou a pressão para fazer diferente foi maior. Essa tem sido a regra com os alunos, o que me tem deixado (quase) imune a grandes dissabores, embora ninguém esteja livre de encontrar um já ao virar da esquina.

A confiança estabelecida num grupo de trabalho – e uma turma é isso mesmo – é essencial, em especial a confiança em quem lidera – e um professor tem de ser um líder. O resto vem por acréscimo e qualquer problema, com colegas, com encarregados de educação, com os poderes locais ou centrais, torna-se secundário se sentirmos que aqueles com quem trabalhamos diariamente confiam em nós.

* Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.