DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 39 – Saudades

Não é a primeira vez que os alunos me dizem que têm saudades de voltar à escola. O ano passado foi o mesmo, ao fim de 3-4 semanas de aulas à distância. Voltar à escola para estar com os amigos, socializar, mas também para estar nas aulas. Pelo menos, a maioria tem essa atitude, mesmo se há um punhado que tem aproveitado muito bem o tempo para uma pós-graduação em consolas e chegadas com mais atraso às aulas em casa do que na escola.
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Não é a primeira vez que os alunos me dizem que têm saudades de voltar à escola. O ano passado foi o mesmo, ao fim de 3-4 semanas de aulas à distância. Voltar à escola para estar com os amigos, socializar, mas também para estar nas aulas. Pelo menos, a maioria tem essa atitude, mesmo se há um punhado que tem aproveitado muito bem o tempo para uma pós-graduação em consolas e chegadas com mais atraso às aulas em casa do que na escola. Por acaso com menos criatividade nas desculpas do que em tempos presenciais.

Mas voltemos à maioria que tem saudades de conversar ao vivo, de aprender alguma coisa e mesmo das nossas disputas e discussões quando nem tudo corre bem. Querem voltar mas, curiosamente, apenas com 10-11 anos parecem perceber melhor os riscos do que muita gente diplomada.

E, apesar da torrente noticiosa nem sempre ajudar, começam a aperceber-se das incoerências, das falsas promessas, da vacuidade de muitas coisas que aparecem pelas televisões. Por acaso, talvez esta pandemia ajude mais esta geração de alunos a ter uma atitude mais proactiva em termos de cidadania do que algumas iniciativas tão bem-intecionadas como fugazes e sem graqnde ancoragem nas consciências.

Numa zona muito fustigada pela covid-19, quase todos perderam alguém ou conhecem quem perdeu. São novos, ainda a sair da infância, mas não são tolos e gosto da responsabilidade de muitos, quando discutimos estes assuntos naquelas aulas que deveriam ser mesmo para isto e não para debitar cartilhas e perfis da moda.
E eu também tenho saudades de outro tipo de interacção, mesmo com máscaras. Afinal, agora já todos nos conhecemos de cara inteira.

* Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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