DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 38 – Autonomia, às Vezes

Soubemos na 2.ª feira que as escolas terão “autonomia” para definir como irão avaliar os alunos no final do 2.º período. Foi-nos anunciado pelo ministro da Educação, enquanto fazia uma visita a uma escola que retomou as aulas presenciais. 
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Soubemos na 2.ª feira que as escolas terão “autonomia” para definir como irão avaliar os alunos no final do 2.º período. Foi-nos anunciado pelo ministro da Educação, enquanto fazia uma visita a uma escola que retomou as aulas presenciais. Acrescentou que não haveria orientações a nível nacional e que as escolas têm “maturidade suficiente para entender como querem fazer a avaliação dos seus alunos”.

Quanto à referida autonomia, só posso concordar e até gostaria que ela se estendesse um pouco mais até à base, aos Conselhos de Turma e aos professores. Porque este período foi bastante atípico e as condições para fazer uma avaliação quantitativa não são iguais de escola para escola ou mesmo no interior de cada uma, de turma para turma, para não dizer de aluno para aluno, por razões em parte conhecidas e outras nem tanto assim.

O que lamento é que esta “autonomia”, este nível de liberdade dado às escolas em matéria tão sensível só aconteça numa situação de emergência, não ficando completamente afastada a sensação de que é uma estratégia do ministério para afastar de si qualquer responsabilidade pela resolução de uma situação complicada que ajudou pouco a minorar.

Se as coisas correrem bem, foi uma óptima decisão; se correrem mal, foi porque “as escolas” não souberam usar bem tão generosa concessão de poder pela tutela. De qualquer das maneiras, na dúvida, prefiro ter mesmo algum grau de “autonomia”, mesmo que passageiro do que nenhum.

Agora resta saber até que ponto os órgãos de gestão escolar vão (re)agir perante esta possibilidade. Se a vão usar e, nesse caso, em que sentido. Ou se vão optar por deixar tudo como está e não arriscar. Claro que tal decisão deveria passar por um processo participado de debate interno que, não apenas por questões de tempo, só acontecerá em casos excepcionais. O que é pena. Esta poderia ser uma oportunidade para os pequenos feudos locais se abrirem um pouco e não continuarem o seu crescente processo de isolamento. Apesar de tudo, com os meios disponíveis para a comunicação à distância, seria possível pelo menos tentar uma solução colaborativa. Resta saber se existe vontade para, a nível local, também se optar por concdeder alguma “autonomia”.

* Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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