DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 24 – Questões Transversais

Aqui por casa é comum estar a professora de História do 10º e 11º ano a dar aulas com temas que se cruzam com os das aulas de História e Geografia de Portugal do 5º ano do professor do 2º ciclo do Básico. Umas vezes ao mesmo tempo, à distância de uma voz em tom controlado, para não entrar no som da aula alheia ou interferir com as aulas da aluna do 12º ano. Um exercício interessante de gestão do espaço, do som e de uma banda quase larga...
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Aqui por casa é comum estar a professora de História do 10º e 11º ano a dar aulas com temas que se cruzam com os das aulas de História e Geografia de Portugal do 5º ano do professor do 2º ciclo do Básico. Umas vezes ao mesmo tempo, à distância de uma voz em tom controlado, para não entrar no som da aula alheia ou interferir com as aulas da aluna do 12º ano. Um exercício interessante de gestão do espaço, do som e de uma banda quase larga, algo que nem sempre ocorre a quem acha que isto é muito cómodo para quem está em casa em teletrabalho, sendo professor e encarregado de educação. Mas avancemos, não é ncessário fazer uma carta aberta a esse respeito.

Em alguns casos, é natural alguma curiosidade e fica-se a ouvir como cada um de nós se organiza e gere o trabalho, pois são níveis diferentes de abordagem dos temas e sempre se arranjam uma ideias, apesar da diversidade etária dos públicos-alvo.

O que não deixa de ser engraçado é como se repetem certas questões e problemas, mesmo com um punhado de anos e dois ciclos de escolaridade de permeio. Em alguns aspectos parece que existe uma espécie de amnésia das competências e conhecimentos que deveriam estar adquiridos, em especial quando se solicita a realização de uma tarefa semelhante, como um pequeno trabalho de pesquisa. Mas como é mesmo para fazer? Quantas páginas é que tem de ter? Mas o que é isso do índice? É mesmo preciso fazer uma webgrafia (a perguntar anterior é sobre o que é isso de webgrafia)? E temos mesmo de entregar até dia X? É que eu tenho uma consulta nesse dia (como se não fosse possível entregar no dia X-1 ou do dia em causa, mas numa hora em que não se esteja na alegada “consulta”). E conta para avaliação? E conta quanto? E… e… e… as questões sucedem-se de uma forma que, se nos pusermos lado a lado, até parece que há eco entre o escritório e a sala.

E ainda há quem diga que não há transversalidade vertical no curículo e nos conteúdos programáticos, conforme prescreve o canónico “Perfil do Aluno”.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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