DIÁRIO DE UM PROFESSOR

Dia 21 – Quase a meio

A próxima semana, talvez mesmo a seguinte, corresponderá ao período de melhores níveis de desempenho nesta nova vaga de ensino remoto de emergência. Resta saber como conseguiremos (professores, alunos e famílias) controlar a erosão que se seguirá, quase de forma inevitável.
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Amanhã começa a quarta semana desta segunda vaga de ensino remoto de emergência. Estamos quase a meio do caminho até à pausa – que este ano quase o não é – da Páscoa. Algumas coisas estão melhores em relação à primeira vaga, em especial com o esforço enorme das escolas na recuperação de equipamentos que já não eram usados há anos para que o maior número possível de alunos consiga aceder às salas de aula virtuais. Algumas rotinas de trabalho foram estabelecidas, mesmo com os mais pequenos e é feito o quase impossível para reduzir uma sensação de incerteza e insegurança.

Mas outras mudaram pouco. Ou não mudaram para melhor, como acontece com aspectos já destacados em outras crónicas como a burocracia acrescida ou a lógica de replicar os horários presenciais no modelo E@D.

O que mais me preocupa é que, como no ano lectivo passado, se instale alguma natural fadiga e desinteresse, com a consequente redução do nível de concretização das tarefas solicitadas ou do desempenho nessa realização. A opção para alongar o período com mais dias de aulas na tradicional pausa da Páscoa, em conjunto com a não interrupção no Carnaval, pode ter uns efeitos marginais na quantidade de actividades desenvolvidas, mas duvido que isso tenha correspondência num acréscimo de rendimento.

A experiência anterior, diz-me que daqui a um par de semanas, os níveis de retorno das tarefas assíncronas solicitadas que agora andam acima dos 80-90%, conforme as turmas ou disciplinas, se reduza para os 60% ou mesmo menos. E que a qualidade se reduza da mesma forma, porque o cansaço e a saturação se instalaram. E acredito que isso seja pior em alunos mais novos a que se está a exigir que fiquem 4 a 5 horas ligados aos ecrãs, como solicitações permanentes.

A próxima semana, talvez mesmo a seguinte, corresponderá ao período de melhores níveis de desempenho nesta nova vaga de ensino remoto de emergência. Resta saber como conseguiremos (professores, alunos e famílias) controlar a erosão que se seguirá, quase de forma inevitável.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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