PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 63 – Miúdos e graúdos

O que foi dito acerca do regresso dos “mais velhos” ser mais seguro, porque compreenderão melhor as regras de distanciamento social e estarão em melhores condições de as cumprir do que a petizada pequena, não resiste à observação da descontraída proximidade que se verificou nos espaços envolventes dos portões escolares. Até podem ter mesas a 2 metros de distância nas salas e trajectos que minimizam os contactos, mas cá fora foi business as usual, mais ou menos máscaras fashion.
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Para mães e pais, elas e eles serão sempre miúdos tenham 18 meses ou 18 anos. Mas nos últimos dias foi possível perceber que a reabertura de creches e o regresso de aulas presenciais no Secundário tiveram respostas muito diversas por parte das “famílias”. E talvez seja interessante perceber que diferenças ocorreram e quais as razões.

No caso das creches, nem a campanha mediática alinhada com os objectivos do governo e de todos os que clamavam pela necessidade da Economia voltar a funcionar, fez com que a maioria dos pais deixasse as suas crianças voltar. Mesmo aligeirando as regras de segurança, pelo menos até agora, foi perceptível que a confiança é escassa e que, na dúvida, preferem que a miudagem fique em casa, em vez de ir para locais onde há algum risco de contraírem o vírus e, mesmo que assintomáticos, o transmitirem à sua família. Já no caso do Ensino Secundário, a maioria dos alunos voltou (oscilando entre 10 e 35% os que o não terão feito até agora) sob a pressão dos exames de acesso ao Ensino Superior e à chantagem pouco subtil de ficarem sem qualquer apoio à distância se o não fizessem e os encarregados de educação manifestassem essa opção.

O que significa que regressaram às aulas presenciais os “graúdos” que já se desenrascariam sozinhos em casa, podendo os seus pais ir trabalhar com alguma segurança, ficando em casa aqueles os “miúdos” com nula autonomia e que, dessa forma, implicam que os adultos fiquem com eles. Se a ideia era apoiar o regresso ao trabalho de muitas mães e pais, basta-me olhar aqui à minha volta e constatar que só voltaram às aulas os do Secundário, pois até os alunos do Superior continuam em regime não presencial.

Entretanto, verificou-se outro aspecto curioso, pelo menos para quem não se ficou pelos directos televisivos e passou pela porta de um punhado de escolas na 2.ª feira. O que foi dito acerca do regresso dos “mais velhos” ser mais seguro, porque compreenderão melhor as regras de distanciamento social e estarão em melhores condições de as cumprir do que a petizada pequena, não resiste à observação da descontraída proximidade que se verificou nos espaços envolventes dos portões escolares. Até podem ter mesas a 2 metros de distância nas salas e trajectos que minimizam os contactos, mas cá fora foi business as usual, mais ou menos máscaras fashion.

Já escrevi que tenho interesse pessoal em que este regresso d corra o melhor possível. Mas não posso esconder alguma preocupação em nome de interesses que não acho superiores à saúde pública.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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