PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 61 – Um regresso

Não é “o” regresso. É um regresso. De mais alunos, professores e funcionários do que seria desejável, pois não faz sentido apresentar este regresso a aulas presenciais como algo destinado a preparar os alunos para os exames e depois obrigar mesmo os que os não vão fazer a comparecerem para dar a sensação de que todos estão a desenvolver novas aprendizagens neste pretenso “novo normal”.
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Não é “o” regresso. É um regresso. De mais alunos, professores e funcionários do que seria desejável, pois não faz sentido apresentar este regresso a aulas presenciais como algo destinado a preparar os alunos para os exames e depois obrigar mesmo os que os não vão fazer a comparecerem para dar a sensação de que todos estão a desenvolver novas aprendizagens neste pretenso “novo normal”.

Espero, desejo mesmo, que este regresso corra bem. Que, contra as minhas expectativas, estas aulas não se transformem numa espécie de baile de máscaras. Tenho um interesse directo nisso, até porque quero que tudo corra bem ao resto do meu agregado familiar que regressa ao regime presencial, gata excluída que já fez todos os estudos curriculares (secundários e superiores) em unhas afiadas no sofá e sonecas ao sol.

Mas preocupam-me muito os truques da propaganda oficial que apresenta tudo como devidamente preparado e previsto, quando nos últimos dias ficámos a saber que a anunciada desinfecção das escolas pelas Forças Armadas se limitou a um par de casos com cobertura televisiva e que três milhões de máscaras encomendadas pela Direcção Geral da Saúde a um fornecedor nacional não estão devidamente certificadas. O que me faz temer pelo que se poderá estar a passar verdadeiramente em outras áreas. E desgosta-me pensar que as escolas vão funcionar como uma espécie de centro experimental do desconfinamento.

Os números de novos contágios e mortes parecem favoráveis, mas há sempre o receio que se venha a descobrir que alguém se esqueceu, num ou mais dias, de adicionar esta ou aquela parcela ao total. Infelizmente, os antecedentes não são os melhores quanto ao rigor com tudo isto é tratado. Quadros coloridos e com números podem transmitir uma sensação de segurança que pode ser ilusória. Lá por fora os números também estão a evoluir de modo favorável nos países mais próximos e mesmo onde já se verificou o fim do estado de confinamento? Ainda bem, mas como estivemos várias semanas em contraciclo, ainda há muito por compreender.

Prognósticos?

Aconselha a prudência que, como muito bem expressou um certo prático do futebolês, os guardemos para o fim do jogo.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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