PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 58 – E chegaram os horários

Parecem-me os possíveis atendendo a tudo. A começar pela necessidade de treinar para os exames, como tão bem criticava um certo governante a cada dia par, ainda há não muito tempo. E que nos dias ímpares ainda fala na necessidade de repensar o velho paradigma da avaliação.
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Pelo que percebi, foi ontem que chegaram os novos horários para a maioria dos futuros regressados, alunos e professores, que vão testar a sério o desconfinamento e demonstrar como aquela retórica antiexames de alguns governantes e especialistas é muito relativa. Mas esse será assunto para análise futura com a acidez devida a quem tem muita pressa para umas coisas, mas anda ao pé-coxinho em outras que proclama serem causas maiores e grandiosas.

Regressemos aos horários que chegaram. Trabalho que não invejo a quem teve de agora refazer horários, coordenando regras de segurança e a necessidade de ter em atenção que há muitos professores que voltam, mas continuarão a ter de assegurar o ensino à distância de outras turmas. Claro que aqueloutras regras que muito se sublinham quando se fazem horários “normais”, e que se dizem de natureza pedagógica, agora passam para segundo plano e já se podem concentrar disciplinas nos mesmos dias. Neste caso, sobrepõem-se as questões da saúde pública que, por seu lado, se submetem às de ordem económica em outros aspectos. Há que saber como se estabelecem as hierarquias e precedências em tempos de crise. Economia über alles, depois a Saúde Pública, depois a Educação. Para que se perceba a verdadeira natureza “humanista” de algumas personalidades que passaram directamente da proclamação da Inclusão para a dos imperativos da Economia que não pode parar. Ou que fazem piruetas curiosas para demonstrarem como tudo se pode conjugar.

Mas voltemos aos horários. Parecem-me os possíveis atendendo a tudo. A começar pela necessidade de treinar para os exames, como tão bem criticava um certo governante a cada dia par, ainda há não muito tempo. E que nos dias ímpares ainda fala na necessidade de repensar o velho paradigma da avaliação. O que me faz interrogar acerca da exigência do regresso dos alunos que nem sequer pretendem fazer exames nas disciplinas que os têm e que podiam ser avaliados por um “novo paradigma”. E interrogar-me sobre aquela forma de não considerar a assiduidade como elemento de avaliação, desde que a mesma seja registada e considerada para efeitos de qualquer coisa. Porque a cada quinze dias as coisas mudam mais rapidamente do que um vírus mutante. Pelo que o mais certo é que até ao início de Junho seja necessário “repensar” algumas destas coisas. Mesmo se o regresso às aulas venha a ser apresentado a partir de 2.ª feira como um enorme “sucesso”, como manda o guião da propaganda para tudo isto.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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