PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 50 – O regresso forçado

Por hoje, fico-me pelo regresso em modo voluntário à força quando se determina que “os alunos que não frequentem as aulas presenciais, por manifesta opção dos encarregados de educação, veem as suas faltas justificadas, não estando a escola obrigada à prestação de serviço remoto.” O que significa que ou os alunos regressam ou ficam entregues a si mesmos.
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Bom dia, de novo. Regresso mais uma vez com as roupagens de encarregado de educação de uma aluna que tem marcado o regresso a aulas presenciais a 18 de Maio. O que não me está a deixar tranquilo, apesar da pletora de informações e orientações da DGEstE que chegaram nos últimos dias para o regresso às aulas e limpeza das “superfícies em ambiente escolar”.

Porque os documentos produzidos são extensos e apresentam longas determinações, mas dificilmente nos aquietam as preocupações. Não por serem os jovens um grupo de risco em si mesmos, mas por tudo o que fica mal explicado, é impraticável ou está longe de estar de acordo com os princípios tão enunciados da equidade e justiça social.

Deixo de lado as instruções sobre a limpeza, porque só sei acerca disso aquilo que tive de aprender em modo acelerado nos últimos dois meses. E parte do que me foi transmitido, já sei que o foi em alguns casos de modo erróneo ou atendendo a prioridades que não as da saúde pública (caso do uso das máscaras, obrigatório quando se levantam as medidas de confinamento, mas que se disse serem dispensáveis no período que agora se diz ter sido o do “pico” do contágio). Pelo que prefiro concentrar-me na parte mais operacional da frequência das aulas presenciais. E esse é um tema que já tem diversos problemas a merecer atenção.

Por hoje, fico-me pelo regresso em modo voluntário à força quando se determina que “os alunos que não frequentem as aulas presenciais, por manifesta opção dos encarregados de educação, veem as suas faltas justificadas, não estando a escola obrigada à prestação de serviço remoto.” O que significa que ou os alunos regressam ou ficam entregues a si mesmos. Se os encarregados de educação se manifestarem contra o regresso, então os alunos que se desenrasquem, porque ficam sem qualquer rede. Nem se percebe como será possível ser feita uma avaliação nestes termos. Ora, isto está muito longe de ser uma atitude flexível e tolerante para com a autonomia das “famílias” para escolherem o que acham melhor para os seus educandos. Não me parece ser, sequer, uma atitude consentânea com os princípios tão apregoados da equidade.

Mas este não é o único aspecto problemático do ponto de vista dos alunos. Amanhã dedicarei alguns parágrafos à parte mais “social” deste “regresso”.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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