PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 44 – Abençoado silêncio

Um primeiro de Maio em moldes inéditos, com um distanciamento social que inibe as manifestações de massas e com o anúncio de um desconfinamento que, no entanto, deve ser prudente.
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Um primeiro de Maio em moldes inéditos, com um distanciamento social que inibe as manifestações de massas e com o anúncio de um desconfinamento que, no entanto, deve ser prudente. Os sinais mais recentes são de que se começam a extremar atitudes, entre quem mantém uma severa atitude de reprovação por qualquer pessoa que não use uma máscara em todas as circunstâncias e os descontraídos que já andam em grupo em passeatas e correrias como se tudo estivesse na maior das normalidades.

Por entre tudo isso, um abençoado silêncio matinal que permite respirar um pouco após dias de teletrabalho que moem mais do que qualquer semana presencial. Consegue ouvir-se a passarada lá fora desde o vago anúncio da madrugada. Não se avança com passos algo contrariados para mais uma maratona digital e pode deixar-se o computador descansado e o telemóvel desligado (embora o meu seja dos menos intrometidos que conheço). Esta, sim, poderia ser a “nova” normalidade, mas implicaria uma forma completamente nova (quiçá um “novo paradigma”) de encarar a relação entre as rotinas laborais e a vida pessoal e familiar.

A mim, o confinamento não trouxe especial ansiedade ou stress, ao contrário do que parece ter acontecido a quem sente muita falta do convívio social diante de montras ou de chávenas de café em esplanadas com vista para o trânsito. Já o teletrabalho com as suas exigências redundantes de registo e confirmação das actividades desenvolvidas ou por desenvolver deixa-me um pouco à beira de um ataque de sinceridade inconveniente. Felizmente, é um estado de espírito conhecido por quem conhece (passe-se o pleonasmo) que funciona como filtro para a redundância comunicacional.

Quando muita gente gosta de sublinhar a importância de uma atitude reflexiva e da meditação na vida, o silêncio (físico ou digital) é essencial para o equilíbrio interior da maioria de nós, pelo menos de quem não se realiza pessoalmente através da produção de ruído redundante.

Que o primeiro de Maio lhes traga uma pausa para as semanas que se anunciam é o que desejo, mas muito mais do que tenho esperança que aconteça.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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