PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 43 – Uma pequena sondagem pessoal

No âmbito da disciplina de Português (6.º ano) e Cidadania e Desenvolvimento (8.º ano) fiz um pequeno inquérito (cinco questões) aos meus alunos sobre a situação do ensino à distância, da telescola televisiva e do eventual regresso às aulas presenciais (que não se coloca para o Ensino Básico, mas que achei interessante inquirir).
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No âmbito da disciplina de Português (6.º ano) e Cidadania e Desenvolvimento (8.º ano) fiz um pequeno inquérito (cinco questões) aos meus alunos sobre a situação do ensino à distância, da telescola televisiva e do eventual regresso às aulas presenciais (que não se coloca para o Ensino Básico, mas que achei interessante inquirir).

Embora ainda só tenha recebido a resposta de metade dos inquiridos, os resultados já apresentam alguns padrões reconhecíveis. Em primeiro lugar, as respostas do 6.º ano (alunos de 11-12 anos) e do 8.º ano (alunos de 14-16 anos) são bastante distintas, com os mais velhos a apresentarem-se muito mais críticos e cépticos em relação a quase todos os parâmetros.

A avaliação que é feita do chamado “E@D” no caso dos alunos do 6.º ano é em 85% dos casos de Bom/Muito Bom, valor que desce bastante nos de 8.º (45,5%, equivalente à de “Suficiente”). A avaliação negativa (Insuficiente/Fraco) é, respectivamente, de 7,5% e 9%.

Sobre a “telescola”, 93% dos alunos do 6.º ano afirmam assistir às aulas, mas no caso do 8.º ano esse valor desce para 82%. A qualidade das aulas é para os mais novos avaliada como boa/muito boa em 71,5% dos casos, mas apenas por 27% dos mais velhos (que atribuem a classificação de “Suficiente” em 55% das respostas, muito acima dos 21,5% das respostas do 6.º ano).

Apesar disso, 86% dos alunos do 6.º ano preferem as aulas presenciais (14% declara-se indiferente e ninguém prefere a “telescola”), enquanto esse valor desce para 45,5% dos de 8.º ano, com valor semelhante a declarar-se indiferente e 9% a preferir as aulas pela televisão.

Por fim, o regresso às aulas presenciais não é admitido por 93% dos alunos do 6.º ano (apenas 7% considerariam um “talvez”), mas 27% dos de 8.º ano aceitariam essa possibilidade e 64% talvez o aceitassem (apenas 9% o recusam), o que são reacções praticamente antagónicas.

Não é uma amostra especialmente representativa (apenas algumas dezenas de alunos, dos 2.º e 3.º ciclos), mas ajuda-me a compreender o meu “público” específico e perceber que não existe “uma” forma única dos “alunos”, enquanto entidade colectiva, reagirem à situação de quarentena, distanciamento social e ensino à distância. E mais diversidade haverá, se forem consultados os alunos do Ensino Secundário!

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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