PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 42 – Sinais confusos

Há duas semanas para que tudo isto seja devidamente esclarecido. Porque definir datas deveria ser depois de o essencial estar devidamente preparado. Mas parece que o importante é fazer anúncios. O resto, logo se vê.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Basta chegar à janela e ver a diversidade de comportamentos ou o nível de carros estacionados na rua. Para o posto de correio e papelaria, organiza-se quase sempre uma fila espaçada, com a maioria das pessoas com máscara colocada. Mas, mais adiante vêem-se famílias a sair com cães e/ou crianças, passeando como se nada estivesse tudo estivesse na maior das normalidades. Quanto ao estacionamento, onde antes não havia qualquer lugar livre e se via mesmo quem colocasse o carro meio em cima de canteiros, agora existem muitos espaços por preencher em qualquer dia da semana.

No espaço mediático, sucedem-se as mensagens contraditórias. Por um lado, os avisos para que, mesmo reduzindo as restrições, as pessoas mantenham comportamentos prudentes e de prevenção das hipóteses de contágio. Por outro, os anúncios da necessidade de retomar diversas actividades económicas, mas também desportivas. Algumas delas com evidente potencial de risco. Passam-se notícias com polícias a fiscalizar o acesso a avenidas marginais no litoral, mas anuncia-se um regresso às praias com limitações dificilmente verificáveis.

Sim, tudo pode fazer sentido numa lógica de regresso às actividades com “responsabilidade”. Mas basta ir a alguns espaços comerciais em funcionamento para se perceber que está a vencer a mensagem de descompressão. A segurança à entrada já é muito mais flexível, os seguranças há umas semanas atentos, formais e algo tensos, agora já ficam na conversa com clientes mais conhecidos, ignorando quantos entram ou saem. Nas filas, o distanciamento já não é o que era.

Quanto às escolas, anuncia-se um regresso do Secundário nas disciplinas com exame do 11.º e 12.º ano, mas em regime “voluntário” por parte dos alunos. O que pode parecer razoável, mas levanta mais questões do que lhes responde. E quem optar por não regressar às aulas presenciais? Continua alguma forma de telensino? E quem regressa, em que moldes isso acontecerá? É por sua conta e risco? E o mesmo é válido para os docentes e pessoal não docente. Quem regressa, é com termo de responsabilidade? Para quem tem idade próxima dos grupos de risco ou uma qualquer patologia pode ficar em casa? Em que termos, agora que é complicado ir aos Centros de Saúde só para pedir atestados?

Há duas semanas para que tudo isto seja devidamente esclarecido. Porque definir datas deveria ser depois de o essencial estar devidamente preparado. Mas parece que o importante é fazer anúncios. O resto, logo se vê.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.