PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 41 – Mais dois meses?

Sinceramente, estou preocupado com o próximo ano lectivo e com o que vai ser possível fazer com ele. Este já está amputado, mesmo que insistamos em meter-lhe uma prótese digital à força. Deveríamos olhar para diante, a prevenir os cenários possíveis, em vez de estarmos a olhar para uma flatline.
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Passei a primeira hora do dia de teletrabalho (em regime presencial entraria às 9h15) a fazer um questionário de verificação da leitura da obra Ali Babá e os 40 Ladrões para daqui a pouco o colocar online para ser feito até final da semana pela minha turma de Português do 6.º ano. Numa sessão síncrona apenas através de chat irei fornecer algumas instruções e esclarecer dúvidas ao par de alunos que até agora apareceu nestas horas semanais. Como escrevi ontem, espero uma taxa de realização de 60% ou um pouco mais se acrescentar quem o vai fazer mais tarde, depois de comunicar com os colegas para descobrir onde eles erraram. Dentro do prazo deverei ter 12 a 14 respostas numa turma de 27 alunos. No total 15 a 18 respostas e não há correio ou voluntários porta a porta que alterem significativamente este cenário.

Há duas formas de encarar esta situação, conforme a atitude que tenhamos perante o que se vai passando por estas semanas. É muito bom que se consigam manter todos estes alunos ainda ligados a rotinas escolares e a realizar tarefas. Ou é trabalho lançado ao vento, que para o ano terá de ser retomado, porque grande parte dos alunos o não vai acompanhar (aqueles que se retorciam nas aulas presenciais com qualquer sugestão de trabalho, mais alguns que até se interessavam, mas não têm meios para trabalhar em ambiente familiar e não apenas por razões “técnicas”).

Faltam mais dois meses disto no Ensino Básico, porque se decidiu estender o ano lectivo como no Secundário. Não percebo bem com base em quê pois o regime presencial terminou em 13 de Março e não vai recomeçar, pelo que os alunos não “perderam” duas semanas. Perderam mais. Mas decidiu-se que seriam mais duas a acrescentar ao calendário.

Sinceramente, estou preocupado com o próximo ano lectivo e com o que vai ser possível fazer com ele. Este já está amputado, mesmo que insistamos em meter-lhe uma prótese digital à força. Deveríamos olhar para diante, a prevenir os cenários possíveis, em vez de estarmos a olhar para uma flatline.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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