PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 38 – 25 de Abril com A bem maiúsculo

No entanto, há algo que em termos simbólicos por acaso me choca de alguma forma e que é a forma como a revisão da nossa ortografia tratou os meses, passando a considerá-los como sendo comuns e não como algo próprio, com direito a singularidade assinalada com maiúscula. Porque isso levou a que quase transformassem o 25 de Abril em 25 de abril e esta forma minúscula de o designar seria uma ferida inaceitável.
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Nunca fui muito de comemorações públicas de datas simbólicas. Depois dos primeiros anos pós-74 em que, como jovem petiz, terei sido mobilizado, quisesse ou não meter-me em ajuntamentos, pelo meu pai, a maioria das minhas comemorações foram feitas nas escolas, mobilizando outros petizes para sessões sobre o 25 de Abril, para o seu significado, cada vez mais distante para alguns.

Em especial nos casos do 6.º e 9.º ano, há muitos anos que faço todos os possíveis por ter planificações suficientemente flexíveis para abordar os conteúdos relacionados com o fim do Estado Novo e o 25 de Abril de 1974 na semana ou semanas imediatamente anteriores. Este ano não foi excepção e a turma de 6.º ano teve até ontem um questionário online sobre o tema para responder a partir de materiais disponibilizados anteriormente.

Isto significa que me passam muito ao lado discussões recorrentes e algo espúrias sobre a comemoração da data para registo em fotos e filmagens futuras, tanto da parte dos que parecem querê-las inscritas em pedra no mesmo modelo como dos que as contestam, nem sempre da forma mais clara e com os argumentos mais sinceros. O 25 de Abril é um estado de espírito, não uma formalidade. O cravo ao peito é sempre que um homem (ou mulher) quiser.

No entanto, há algo que em termos simbólicos por acaso me choca de alguma forma e que é a forma como a revisão da nossa ortografia tratou os meses, passando a considerá-los como sendo comuns e não como algo próprio, com direito a singularidade assinalada com maiúscula. Porque isso levou a que quase transformassem o 25 de Abril em 25 de abril e esta forma minúscula de o designar seria uma ferida inaceitável.

O 25 de Abril será sempre 25 de Abril, queiram os modernizadores da ortografia ou não e apesar da ambiguidade da base XIX (parágrafo 2) do “Acordo Ortográfico” que explicita que os nomes de festas e festividades (identificando-se principalmente as religiosas) têm direito a maiúscula, mas o omite em relação a datas históricas.

Felizmente, o bom senso imperou e o 25 de Abril continua a ser maiúsculo. E, por mim, todo o Abril deveria continuar a sê-lo.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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