PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 35 – É a Vida, estúpidos!

Porque não é a Economia, mas sim a Saúde ou mesmo a Vida que está em causa, estúpidos!
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Consta da mitologia política contemporânea, a história de que o sucesso da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992 se deveu em grande parte ao facto de James Carville, um dos seus estrategas, ter centrado a mensagem do candidato na economia e ter colocado na sede de campanha um grande cartaz com três frases, das quais a que passou à posteridade foi “A Economia, estúpido”, sendo as menos conhecidas “Mudança vs mais do mesmo” e “Não esquecer os cuidados de saúde”.

A vitória de um candidato pouco conhecido e cercado de escândalos sobre um presidente em exercício que tinha acabado de vencer a primeira guerra do Iraque, fez passar a mensagem de que a Economia deve ser central na mensagem de qualquer candidato a um cargo executivo. Entre nós, nas palavras de comentadores mediáticos como politólogos ou economistas de bancada passámos a ter o chavão que postula que “os portugueses votam com a carteira”.

Esta digressão vem a propósito da actual discussão sobre a abertura de algumas actividades económicas até agora encerradas ou muito limitadas, porque se alega que é necessário reanimar a economia para combater a progressão da crise. Curiosamente, são quase as mesmas pessoas que defendem a redução dos rendimentos dos poucos grupos profissionais menos atingidos, o que levaria a uma redução ainda maior do consumo, logo, a um aprofundamento da crise, mas isso agora não interessa nada.

Só que, em sondagem divulgada ontem (da Intercampus, no Jornal de Negócios), a maioria dos portugueses receia mais o contágio pelo SARS-CoV-2 do que a referida crise económica. Claro que, nestes casos, a opinião do “povo” é vista com condescendência pelos “especialistas” e “empresários”, ou seja, aqueles que há uma dúzia de anos nos conduziram alegremente até ao colapso, com raríssimas excepções. Porque a opinião do “povo” interessa quando está alinhada com o que é “certo”.

A reabertura das aulas presenciais para o Ensino Secundário vai ter de enfrentar esta resistência por parte de boa parte da população sem lugar residente nas colunas de opinião especializada de alguma comunicação social.

Porque não é a Economia, mas sim a Saúde ou mesmo a Vida que está em causa, estúpidos!

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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