PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 33 – Ver para crer

Depois de um período em que, salvo casos de excepção e excelência, se andou a tactear em busca das melhores soluções e de uma semana em modo “experimental”, entrámos na fase em que é necessário estabilizar procedimentos e verificar se esta forma de escola à distância funciona em moldes minimamente aceitáveis.
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Depois de um período em que, salvo casos de excepção e excelência, se andou a tactear em busca das melhores soluções e de uma semana em modo “experimental”, entrámos na fase em que é necessário estabilizar procedimentos e verificar se esta forma de escola à distância funciona em moldes minimamente aceitáveis.

A insistência da tutela em querer dar a maior aparência possível de “normalidade” ao que é claramente anormal, tem-se traduzido em soluções muito diversas. O que poderia ser uma demonstração do funcionamento das escolas se, em alguns casos, não se tivesse enveredado pela habitual fascinação pela representação burocrática da realidade. Se é óbvio que as anteriores planificações e mesmo critérios de avaliação têm de sofrer naturais adaptações, é mais estranho que se tenha aproveitado esta “oportunidade” para demonstrar que um modelo digital de ensino se pode transformar em algo mais pesado do que o tal “ensino tradicional” que se acusa de ser ultrapassado.

Cá por casa, vivem-se três experiências (pais professores, filha aluna) razoavelmente diversas do espectro, que se estão a gerir porque existem condições mínimas para tal, mas há exigências que basta um computador deixar de funcionar para não conseguirem ser devidamente satisfeitas. Porque, sem resistir às imposições externas e estabelecer regras claras para a comunicação (com colegas, alunos, famílias), há quem pareça achar que se passou a ter de estar disponível a qualquer hora de qualquer dia. As mensagens, mails, sms caem a qualquer hora sem qualquer noção de tempo pessoal ou privado.

Entretanto, chegando à janela e olhando para o estacionamento da rua, percebe-se que o confinamento está a dar as últimas. Na passada segunda-feira eram raros os lugares livres, hoje são a maioria. A sobreposição de mensagens “topográficas” sobre o “planalto” actual e o “pico” que já passou está a transmitir uma sensação de segurança que faz muita gente sair de casa com menos limitações.

Para terminar, um reparo sobre a presença do ministro da Educação no programa de ontem do Ricardo Araújo Pereira: o enorme nervosismo que se percebia pela tremura das mãos era por ser a sua tentativa de estreia no mundo da comédia sentada?

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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