PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 ! Dia 31 – Uma curva lenta de aprendizagem

A semana terminou com a publicação de horas de aulas online gravadas por hackers de meia-tigela que, sem grande esforço, conseguiram entrar nas sessões e vandalizá-las como se tivessem entrado por uma sala de aula presencial sem sequer bater à porta.
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Foram feitos alguns avisos que mereceram indiferença, hostilidade ou uma atitude de condescendência. Tratava-se da questão da escassa segurança oferecida por algumas plataformas para realizar videoconferências. Um problema que não era desconhecido e já merecera denúncias diversas quando começaram a ser usadas, por exemplo, nos E.U.A. como recurso de fácil utilização para o contacto à distância entre professores e alunos. Os problemas já eram anteriores e sabia-se que a intromissão nas sessões, a sua gravação ou mesmo a obtenção dos dados pessoais dos utilizadores eram riscos muito acima da média. Não estavam em causa as condições contratuais do uso gratuito de ferramentas (caso da Microsoft. Google ou Facebook), mas sim questões sérias de cibersegurança, em particular quando estão envolvidas crianças e jovens.

Os avisos não vinham de luditas avessos à tecnologia ou de quem achava que as aulas à distância devem ser feitas por sinais de fumo ou pombos-correio. Os avisos não vinham de quem anda a expor a sua vida pessoal nas redes sociais sem cuidado ou pudor. Não era por serem velhos que nem sabem mexer nos computadores. Não era gente que desconhecesse que na net nada é verdadeiramente seguro e inviolável. Eram apenas avisos de prudência básica, destinados a que se tomassem algumas precauções nos recursos usados, até porque são habituais as sessões nas escolas sobre cibersegurança e constantes as queixas em relação à forma descuidada como as redes sociais são usadas pela maioria dos utilizadores.

A semana terminou com a publicação de horas de aulas online gravadas por hackers de meia-tigela que, sem grande esforço, conseguiram entrar nas sessões e vandalizá-las como se tivessem entrado por uma sala de aula presencial sem sequer bater à porta. O mais preocupante não foi acontecer, mas sim a rapidez e facilidade como aconteceu. Apesar disso, há quem pareça surdo e cego e insista em culpar quem avisa por ser alarmista ou estar a ampliar o que são casos isolados. Há quem, após semanas (mesmo que poucas) para fazerem as coisas com algum cuidado, optaram por querer ser os mais “eficientes”. E houve quem não soubesse resistir às pressões ou tentação para parecer bem. A pouco e pouco iremos saber a que preço.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.  

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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