PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-24 | Dia 24 – O professor toca sempre duas vezes

A semana terminou de forma muito pouco santa, com uma série de novidades a complementarem as decisões do Conselho de Ministros de 5.ª feira. Passámos a conhecer a grelha de programação da nova telescola, agora chamada “#EstudoEmCasa”, a transmitir a partir de dia 20 de Abril na RTP Memória.
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A semana terminou de forma muito pouco santa, com uma série de novidades a complementarem as decisões do Conselho de Ministros de 5.ª feira. Passámos a conhecer a grelha de programação da nova telescola, agora chamada “#EstudoEmCasa”, a transmitir a partir de dia 20 de Abril na RTP Memória. E constatámos que, nos tempos do ensino à distância e do elogio e necessidade dos recursos digitais, a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação foi esquecida. Assim como se verificou que a componente das Expressões dedicada à Educação Artística e Tecnológica foi condensada em dois segmentos semanais de 30 minutos. Sim, colocar todo o currículo do Ensino Básico numa grelha semanal é algo complicado, mas há opções que são reveladoras do conceito que se tem do que é “essencial” no currículo e do que não é.

Quanto à operacionalização, tivemos direito a um documento que apresenta os 9 princípios orientadores para acompanhamento dos alunos que recorrem ao #EstudoEmCasa que contém directrizes que trazem toda uma nova dimensão à docência que ainda não percebi bem se é do tipo “porta a porta”, se é mais da ordem do voluntariado para situações de risco acrescido, se foi considerada a possibilidade de professores do Ensino Básico também leccionarem Secundário, o que, se forem retomadas aulas presenciais, abre todo o caminho para uma enorme confusão.

Vou concluir, por hoje, com a sugestão da leitura atenta das alíneas a) e b) do princípio n.º 7, que nem vou comentar, limitando-me a fazer alguns destaques a negrito:

“a) Estes alunos continuam a pertencer às suas turmas de origem, devendo prever-se forma de os outros alunos manterem contacto, através do envio de mensagens, de textos coletivos ou qualquer outro meio de combate ao isolamento social agravado pela impossibilidade de haver conectividade. Nesta medida, os professores titulares e diretores de turma assegurarão um contacto regular com os alunos pelos meios  [sic] disponíveis, acompanhando o seu bem estar e o desenvolvimento das suas aprendizagens, em interação com os outros professores do aluno.

b) A cada aluno que recebe conteúdos exclusivamente pela televisão deve ser atribuído um professor mentor, responsável pelo estabelecimento de contacto, individualmente e em parceria com outras entidades da comunidade. Este contacto visa o acompanhamento das tarefas em curso, a verificação de que os alunos estão a assistir às emissões e que desenvolvem outras atividades propostas pela escola.”  

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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