PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 23 – As decisões para o 3.º período: prós, contras e talvez

Quanto às decisões apresentadas ontem pelo governo para o 3.º período do presente ano lectivo, vou dividi-las em pelo menos três categorias, de acordo com o que me parece ser a sua relação com a realidade concreta
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A primeira é a das decisões que aplaudo sem reservas, como o cancelamento das provas de aferição e provas finais do Ensino Básico, bem como das aulas presenciais. São medidas que me parecem de evidente bom senso.

Já me parece altamente controverso que, mesmo sem marcação de uma data definitiva para as aulas presenciais do Ensino Secundário, se considere que as mesmas podem ser retomadas para as disciplinas com exame nacional dos 11.º e 12.º ano e que podem ser recalendarizados os exames para apenas três semanas depois das datas originais. Aconselharia a prudência que essas datas só fossem marcadas quando se soubesse exactamente quando (e se) as aulas presenciais podem ser retomadas. Sendo que se isso acontecer a 4 de Maio terão decorrido cinco semanas sem aulas presenciais. Porque é indispensável perceber se, afinal, sempre somos “escravos dos exames”.

Por fim, tenho dúvidas em relação à questão da “telescola” com sessões em sinal aberto da RTP Memória. Porque serão iguais para todos (universais, num certo sentido, embora padronizadas em outro), mas não atenderão às especificidades de cada grupo/turma ou mesmo de cada aluno. E isso dificilmente conseguirá ser superado como uma monitorização à distância por parte dos professores, pois o desempenho dificilmente poderá ser avaliado com um grau satisfatório de fiabilidade. Pelo que, quando o primeiro-ministro, afirma que o 3.º período será cumprido na “íntegra”, podemos considerar que isso é tecnicamente verdade, mas só com muito esforço podemos tomar como correcta a afirmação de que a avaliação do 3.º período terá em conta “o percurso educativo dos alunos”. A menos que seja o percurso até meados de Março.

Entretanto, nem no ensino superior está previsto que se retomem as aulas presenciais.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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