PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 22 – Dia E de esperar

À hora que escrevo ainda o Conselho de Ministros está a começar, pelo que não se sabe oficialmente o que irá ser decidido acerca do 3.º período nas escolas portuguesas.
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À hora que escrevo ainda o Conselho de Ministros está a começar, pelo que não se sabe oficialmente o que irá ser decidido acerca do 3.º período nas escolas portuguesas. Embora, devido à intervenção do Presidente da República a esse respeito no início da semana e a uns sinais mandados ontem para a comunicação social, já se tenha percebido que o mais certo é qualquer decisão ser adiada, para além do anúncio formal do avanço de uma variante de telescola para os alunos do Básico.

Sendo importante que os alunos não percam por completo a ligação a rotinas de tipo escolar, essa nova telescola, em sinal aberto na TDT, será uma medida meramente paliativa, mesmo que complementada com o recurso a outros suportes para tentar monitorizar o progresso das aprendizagens que assim se considera possível realizar. Mas não é verdadeira cura para nada, porque estar em casa a ver aulas pela televisão, sem enquadramento presencial, em especial em alunos mais novos, muito dificilmente poderá considerar-se uma metodologia, mesmo para os seus proponentes e implementadores, que possa fornecer elementos para uma avaliação justa e equitativa.

Por outro lado, parece-me errado o adiamento de uma decisão para o Secundário, esperando que antes de 4 de Maio seja possível, com real razoável segurança científica, determinar uma ausência de risco para alunos, professores, famílias e comunidades educativas. Mesmo que as aulas presenciais regressem nessa altura, não haverá tempo para recuperar a perda das tais cinco semanas de aulas presenciais, em especial para os alunos com exames nacionais ainda marcados para meados de Junho. Seria mais corajoso suspender desde já, como feito em outros países, o calendário escolar e retirar ansiedade aos envolvidos, garantindo que, no mínimo, tudo terá de ser adiado um mês. Vale mais prever aulas para Junho e exames para Julho, do que andar a tentar fingir que ainda é possível recuperar-se o tempo que a emergência está a roubar a todos. E assumir-se que se estamos em tempos excepcionais, há que tomar medidas de excepção como adiar o arranque do próximo ano lectivo e o acesso ao Ensino Superior.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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