PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 21 – Qual é o código, professor(a)?

Os tempos recentes têm sido complicados, com a necessidade de recorrer a mais serviços online e o meu sistema interno começou a “patinar” no acesso a alguma informação antiga, devido ao soterramento com a nova que se tornou necessária.
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Sou dos que têm a mania que conseguem guardar (quase) tudo na sua memória em matéria de nomes de utilizador e palavras-passe. E (quase) sempre as coisas correm bem ou o esquecimento ocasional consegue resolver-se com a recuperação automática, pelo que é muito raro apontar seja o que for em papel e, nesses poucos casos, o mais certo é esquecer-me em que papel/agenda/caderno o fiz, pois fazê-lo num ficheiro de computador ou mensagem de telemóvel é quase o mesmo de deixar tudo ligado.

Mas os tempos recentes têm sido complicados, com a necessidade de recorrer a mais serviços online e o meu sistema interno começou a “patinar” no acesso a alguma informação antiga, devido ao soterramento com a nova que se tornou necessária. O código de um cartão multibanco ficou num limbo entre dois dígitos e ao de ligar o telemóvel ia acontecendo o mesmo, exactamente quando era preciso aceder ao dito cujo para recuperar um código que me chegaria por sms. Mas, apesar da provecta idade e uso abusivo da memória, quase tudo encaixa nos seus lugares.

Por isso, me espanta um pouco (mas não tanto quanto isso) que a pergunta que mais chegou nos últimos dias aqui a casa, a este casal de professores e directores de turma, tenha sido “e qual é o código, professor(a)” quando se comunicou que as pautas não seriam afixadas ou publicadas online e que cada aluno ou encarregado de educação deveria aceder às classificações do período na plataforma usada por cada uma das escolas. Parece que (quase) toda a gente tem tudo memorizado nos seus equipamentos electrónicos, excepto o que interessa para a escola, desde os códigos internos para aceder aos computadores das salas de informática ao de entrada na plataforma usada na escola para uma série de funcionalidades que agora, em termos ideias, migraram para o espaço virtual. Ou não, já que, pelo que se percebeu durante esta semana, há quem, depois de receber esses códigos, lhes tenha dado a mesma importância do que a umas peúgas rotas e malcheirosas que se atira para o lixo do esquecimento.

E então, busca-se junto dos professores que há quem diga que são de um modelo arcaico, mas que, afinal, ainda são os fiéis depositários da memória colectiva da comunidade educativa.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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