PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 19 – A velha telescola

Sobre a “velha” telescola, podem existir algumas confusões ou equívocos. O primeiro deles é pensar-se que os alunos não iam à escola e não estavam em salas de aula. O segundo é que não estavam acompanhados por um(a) professor(a) nessa sala.
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A telescola foi criada nos anos 60 do século XX para dar resposta à extensão da escolaridade obrigatória para 6 anos e à criação do chamado “ciclo preparatório”. Inicialmente designado como “ciclo complementar do ensino primário” (decreto-lei 45810 de 9 de Julho de 1964), vinha substituir o ciclo preparatório do ensino técnico e o 1.º ciclo do ensino secundário, embora este pudesse funcionar nos Liceus, dispensando os seus alunos da frequência das 5.ª e 6.ª classes.

O modelo do “ciclo preparatório” começou a funcionar para quem entrasse na 1.ª classe no ano lectivo de 1964/65, pelo que só no final dos anos 60 começou a funcionar em pleno, significando um forte acréscimo de alunos, que antes acabavam os estudos na 4.ª classe, no sistema de ensino por mais dois anos. Isso implicava meios humanos (professores) e espaços (salas de aula) que não existiam em muitas zonas do país nem nos Liceus, nem nas Escolas Comerciais e Industriais, ou que implicariam uma longa deslocação dos alunos, sem rede de transportes públicos que assegurasse esse trânsito.

A solução encontrada foi a da chamada “telescola” (em contraponto ao ensino preparatório “directo”), em que os alunos prosseguiam os estudos, em regra na “escola primária”, com o acompanhamento de um(a) professor(a), em regra no turno da tarde, com o recurso a aulas transmitidas no 2.º canal da RTP. Foi uma solução que teve expansão na década de 70, desaparecendo progressivamente, à medida que a rede escolar destinada ao “preparatório” (depois “2.º ciclo do ensino básico”) se expandiu.

Sobre a “velha” telescola, podem existir algumas confusões ou equívocos. O primeiro deles é pensar-se que os alunos não iam à escola e não estavam em salas de aula. O segundo é que não estavam acompanhados por um(a) professor(a) nessa sala.

O que significa que era uma modalidade de “ensino à distância”, mas não que a aprendizagem era feita de forma autónoma, sem orientação presente em aula. E significa também que era uma solução que procurava ser “universal”, visto que muitas famílias ainda não tinham televisão (a internet da época) em casa e, por isso, não poderiam seguir as “lições” transmitidas de forma síncrona para todo o país.

Resta saber como está a ser pensado o modelo da “nova” telescola.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.  

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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