PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 18 – Quem está a preparar reuniões para 2.ª feira?

São várias as escolas que convocaram para amanhã (e dias seguintes) uma sucessão de reuniões de formatos diversos (grupos disciplinares, departamentos, conselhos de turma, equipas disto ou aquilo) para delinearem os seus planos E@D conforme instruções da tutela.
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São várias as escolas que convocaram para amanhã (e dias seguintes) uma sucessão de reuniões de formatos diversos (grupos disciplinares, departamentos, conselhos de turma, equipas disto ou aquilo) para delinearem os seus planos E@D conforme instruções da tutela.

E tal como a tutela primeiro mandou fazer o que fosse possível para dar a aparência do 2.º período terminar com alguma “normalidade” e só depois traçou a custo um rumo, também a nível local se avançou primeiro com a pressa de apresentar as soluções no mais curto espaço de tempo e só agora vão surgir os “planos”.

O que levanta questões acerca do trabalho feito, em muitos casos com enorme aplicação pelos professores e irregular retorno pelos alunos, mas nem sempre com a devida coordenação (horizontal ou vertical), e que agora pode ser abandonado se a solução “unificadora” for outra e implicar um reinício do processo. Por um lado, até que ponto se irá pelo caminho seguido pela maioria, se pelas propostas do grupo que tiver mais poder de pressão ou persuasão junto das lideranças locais, se será deixada uma relativa liberdade, autonomia e flexibilidade aos professores para adaptarem as suas soluções individuais (ou de grupo) a um padrão mais geral.

O processo correcto deveria ter sido outro desde o início, sem aquela precipitação forçada pela tutela para que algo aparecesse muito depressa e só depois se passando ao “grande cenário”. Teria bastado activar os já existentes circuitos de comunicação entre os directores de turma e os encarregados de educação para lhes prestar as informações básicas, usando aquelas duas semanas para se definir o tal rumo geral, em vez de se esperar pelos timings da política, alegadamente à espera de uma resposta científica que vai tardar, como cedo se percebeu, para definir uma recalendarização do 3.º período. E, de forma consequente, avançar então com os rumos locais.

Temos o presente imediato e uma semana que se adivinha de efervescência em torno da definição de estratégias que devem, de forma muito clara, assentar nas condições locais para serem implementadas pelos professores e acessíveis aos alunos (e famílias), tendo em conta as problemáticas (e por vezes incómodas) questões da equidade, inclusão e privacidade que foram tanto tempo enunciadas como prioritárias e não podem ser completamente atropeladas com o argumento da emergência

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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