PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 17 – A maioria dos alunos já quer voltar

De acordo com os resultados de um questionário colocado online pelo Observatório das Políticas de Educação e Formação divulgado ontem à noite, perto de dois terços dos alunos que responderam revelam que já querem regressa à escola.
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De acordo com os resultados de um questionário colocado online pelo Observatório das Políticas de Educação e Formação divulgado ontem à noite, perto de dois terços dos alunos que responderam revelam que já querem regressa à escola. Nas notícias que li ou ouvi, este valor, como outros sobre a satisfação dos encarregados de educação com as medidas já praticadas ou a mudança de hábitos de estudo ou no quotidiano, são “preliminares” e baseiam-se em cerca de 1200 respostas. Vou ultrapassar as reservas metodológicas que me levantam o inquérito, que entretanto preenchi, constatando que não existe qualquer forma de verificar a veracidade da situação dos respondentes (poderia ter declarado que era aluno e respondido na mesma, sem qualquer tipo de controlo). Vou crer que todas as pessoas responderam de forma séria e que os dados não se encontram de forma alguma afectados por essa opção pela facilidade da recolha dos dados em detrimento da sua fiabilidade.

A corresponder ao sentir da maioria dos alunos, isto demonstra que, afinal, a escola é um local que eles apreciam e do qual ao fim de duas ou três semanas já sentem saudades. O que contraria a ideia preconceituosa de alguma opinião publicada e mesmo de “estudos” acerca da insatisfação dos alunos com o seu quotidiano escolar. Eu sei que há quem separe o gosto pelo espaço de socialização e o desgosto com as aulas. Mas eu acho que essas fronteiras são mais artificiais e operatórias para alguma sociologia simplista da educação do que a realidade. As alunas e alunos, na sua maioria, gostam da escola e mesmo das aulas, embora com naturais assimetrias. E basta uma minoria mais vocal para conseguir perturbar o quotidiano de colegas e professores (no actual ambiente de complacência com esses comportamentos) e para justificar conclusões apressadas acerca das atitudes da maioria dos alunos em relação à Educação. Ainda há esperança, apesar de tudo que tem sido feito para em nome do “sucesso para todos”

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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