PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 16 – Uma aparência de normalidade

Em circunstâncias normais, este seria o tempo de ganhar energias para o sobrecarregado e decisivo 3.º período. Em circunstâncias anormais, como as que vivemos, esse tempo ainda é mais necessário.
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Ontem foi o último dia com salpicos de obrigações escolares para o trio familiar. Hoje, o primeiro sem nenhuma obrigação daquelas mesmo obrigatórias, pelo que se pode encenar a possível normalidade para quem só deve sair para comida da tradicional, que a do espírito se torna difícil com quase tudo fechado e filas para qualquer papelaria a dobrar a esquina com 5 pessoas mascaradas e enluvadas.

Passada a febre do armazenamento de frescos, meio-frescos, congelados e papéis diversos, já é possível entrar num supermercado e trazer o essencial sem grande luta, em especial se tiver o cuidado de ir na hora em que a maioria está a almoçar, que eu não tenho paciência para ir ao abrir da loja para comprar a primeira carcaça da fornada.

Arruma-se a papelada que serviu de suporte às teletarefas das últimas semanas, mas sem a afastar muito da mesa onde o computador, finalmente, sente algum descanso durante a luz do dia. Os mails baixaram para um décimo do que foram há uns dias. O telefone já só toca quando é mesmo necessário. Há a esperança de, pelo menos por uns dias, as exigências baixarem de urgência. A incerteza quanto ao que se irá passar no 3.º período deve ser colocada em modo de pausa. Avisei os meus alunos e os encarregados de educação da minha direcção de turma que antes de dia 10 de Abril, a menos que algo muito inesperado aconteça, não os incomodarei e não farei coro no que quase parecia serem quase chats em algumas “salas virtuais”.

Em circunstâncias normais, este seria o tempo de ganhar energias para o sobrecarregado e decisivo 3.º período. Em circunstâncias anormais, como as que vivemos, esse tempo ainda é mais necessário. Falta-me a despedida presencial dos colegas de que cuja presença não gosto de me despedir. No caso dos alunos, por acaso, fui previdente e disse-lhes a tempo que não sabia quando nos voltaríamos a encontrar. Espero que isso aconteça em breve, mas no prazo mais seguro possível para todos.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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