PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

COVID-19 | Dia 13 – Canais “estilo Youtube”?

Acreditemos que até é possível recorrer a materiais de outros canais e a uma minoria de produção própria, como é que isso se aplica na prática e coaduna com tudo o que se tem falado acerca da necessidade de diferenciação pedagógica?
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O ministro da Economia que há não muito tempo afirmava, e com razão, não ser economista, decidiu que era mais um dos numerosos especialistas instantâneos em Educação e sugeriu que o 3.º período poderia ser lecionado num modelo baseado em canais “estilo Youtube”.

A coisa, em tempos normais, passaria sem direito a especial atenção, apenas fazendo lembrar aqueles estudos “tipo OCDE” (ou “tipo FMI”) que eram qualquer coisa que não era bem aquilo que se queria dar a entender. Mas em tempos de séria emergência é melhor não deixar a “ideia” passar em claro, porque ainda alguém pode achar que é contributo a levar a sério.

Se fosse para levar a sério, a sugestão poderia significar uma de duas coisas: ou que o ministério da Educação pretende criar um canal próprio para o qual produzirá conteúdos adequados às disciplinas dos diversos anos de escolaridade ou que pretende criar canais no próprio Youtube com esse tipo de conteúdos, em qualquer dos casos numa variante do que faz a Khan Academy ou o canal Ted-Ed.

Só que a própria DGE coloca as suas webinars directamente no Youtube através do canal da ERTE. Sendo que, a avaliar por esses exemplos, se seguirem o modelo e os dotes comunicativos dos seus especialistas, os miúdos acabam todos a dormir o sono dos santos ao fim de poucos minutos.

Mas acreditemos que até é possível recorrer a materiais de outros canais e a uma minoria de produção própria, como é que isso se aplica na prática e coaduna com tudo o que se tem falado acerca da necessidade de diferenciação pedagógica? Conteúdos iguais para todos, sem direito a interrupção e diálogo, não é o que se diz caracterizar as pedagogias ultrapassadas?

Se acho bastante úteis muitos conteúdos que encontro no Youtube (e não só) e os uso nas minhas aulas, não me repugnando que se constitua um acervo de recursos didácticos nacionais de forma planeada e coerente, já acho mais patusco acreditar-se que isso poderá estar pronto daqui a duas semanas ou mesmo um mês. Se fosse desígnio para boa parte de um mandato ainda poderia ser algo a considerar. Mas assim…

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.  

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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