PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

Covid-19 | Dia 4 – Domingo em pausa

Pela primeira vez, sinto alguns sinais positivos do tal “isolamento social” que, pelo menos para quem aprecia uma boa pausa e a dose certa e necessária de silêncio, é importante para fazer uma espécie de reboot do sistema e para baixar os níveis de desgaste que costumam marcar o final do 2.º período.
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Amanhece-se com poucos ruídos em volta, não há rotinas e horários a cumprir, pode usar-se o tempo de um modo diferente. Cruzam-se os dedos para que nenhum vizinho próximo tenha decidido que é esta a oportunidade para aquela bricolage que estava mesmo a faltar.

Aproveitem para ler em formato físico de livro. Sintam o peso, o cheiro da tinta, folheiem.

A solução por um bom policial é multigénero, pelo que se recomenda em primeiro lugar, até pelos muitos exemplos de qualidade, a começar pelos escandinavos (tentem o menos conhecido Ragnar Jonasson ou a Yrsa Sigurðardóttir). Certo, não tiveram tempo de encomendar, mas aproveitam o online e mandem vir para os próximos dias. Qualquer Stephen King faz o mesmo efeito ou ainda melhor. Se quiserem ler sobre a vida sob a ameaça de uma doença (a poliomielite nos anos 40), encomendem o Nemésis do Philip Roth, um dos maiores injustiçados pelo Nobel.

Mas como não chegam hoje, esqueçam como eu a quarta tentativa para ler o Guerra e Paz  (ou equivalente em nome dos “clássicos”) e “leiam” na económica HBO (5 euros por mês para 5 equipamentos vale mesmo a pena) o The Outsider do Stephen King em 10 episódios ou comecem a ver o The Plotr Against America do Philip Roth (só tem o primeiro episódio, porque respeita aquele ritmo semanal de antigamente). Espreitem, no cabo “normal”, o que há no AMC ( Capitaine Marleau para sorrir, com episódios independentes). Evitem os canais noticiosos.

Usem o vosso tempo de um modo que não vos deixe mais desgastados. Olhem o céu lá fora. Respirem. Ouçam aquele LP/CD que há tanto tempo não revisitam. Revivam o prazer de estar convosco mesmos.

*Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
 

Paulo GuinoteProfessor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
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